13 de julho de 2015

História da Wicca - parte I

Wicca é uma palavra do inglês arcaico que quer dizer "bruxo". Há quem diga que seu significado é "sábio", mas isso não corresponde com a verdade. A palavra tem sua origem na raiz indo-européia "wikk", significando "magia", "feitiçaria". O nome Wicca é mais usado para denominar essa religião. Ela também é conhecida como Bruxaria, Feitiçaria, Antiga Religião, Arte dos Sábios ou simplesmente Arte.

As origens da Bruxaria remontam à aurora da humanidade. As crenças começaram a tomar forma no Paleolítico, há aproximadamente 25 mil anos. Neste período, o ser humano era nômade e suas principais fontes de subsistência eram a caça e a coleta. Tudo era misterioso para o homem e a mulher do paleolítico: o trovão, o sol, a escuridão. Para eles, o mundo era um lugar perigoso, cheio de forças que deveriam ser temidas, respeitadas e reverenciadas. Com o tempo, a ideia das forças foi evoluindo para a ideia de Deuses.

Um dos primeiros e, seguramente, o mais importante Deus primitivo a surgir foi o Deus de Chifres. Para que o clã nômade sobrevivesse, uma das principais atividades era a caça: dela provinham carne para alimentar-se, pele para vestir-se, ossos e chifres para fazer instrumentos. Assim, tomou forma na mente do ser humano primitivo a ideia de um Deus das Caçadas, dotado de chifres, símbolo do poder. Alguns membros do clã iniciaram a prática de atividades de caráter mágico-religioso, composto por um elemento religioso (esboços de rituais e mitos dedicado à adoração do Deus de Chifres, forças naturais e espíritos dos antepassados) e por um elemento mágico (práticas que tentavam atrair a benevolência dessas divindades e espíritos, a fim de manipulá-los para interesses práticos do clã).

Neste momento estava se delineando algo que se assemelhava muito a grosso modo com uma classe sacerdotal. Esses "sacerdotes" realizavam ritos que hoje são chamados de magia simpática, ou seja, práticas baseadas na atração dos semelhantes. Pintavam-se cenas de membros dos clãs vencendo e abatendo animais cobiçados, para garantir o sucesso da próxima caçada. Miniaturas desses mesmos animais eram confeccionados em ossos, chifres ou barro, então simulava-se sua caça e abate. Esses ritos eram geralmente dirigidos por um desses "sacerdotes", geralmente usando a primeira de todas as túnicas: peles de animais e uma máscara dotada de chifres.

Em Tróis Frères, na França, existe uma pintura de 12 mil anos, conhecida como "Le Sorcière" (O Feiticeiro). É a figura de um homem vestindo peles, com cauda e chifres de cervos. A sua volta, paredes cobertas por pinturas de animais em caçadas. Mas as caçadas não eram a única coisa que fazia o clã sobreviver. Havia um mistério: o da fertilidade. O clã precisava continuar. De tempos em tempos, a barriga da mulher crescia e ao fim de algumas luas, dela surgia um novo membro da tribo, pequeno, mas que crescia com o passar do tempo. Os animais também tinham filhotes e isso garantia o alimento de futuras gerações. A chave de todo esse mistério era a mulher, aquele enigmático ser que, se já não bastasse ser a única responsável pela continuação da tribo (ainda não havia a consciência da participação do homem na procriação), também alimentava as crianças com leite do seu próprio corpo. Além disso, aquela criatura mágica vertia sangue de seu próprio corpo em algumas ocasiões, mas mesmo assim não morria.

Todas essas constatações deram origem ao surgimento de uma Deusa da Fertilidade, uma grande mãe. Figuras pré históricas desta Deusa são incontáveis. Uma das mais famosas é a Vênus de Willendorf: seu corpo parece uma grande massa disforme do qual se destacam um gigantesco par de seios e uma proeminente barriga grávida. Ela não tem pés, nem braços e seu rosto está coberto. Essas características são comuns em várias outras "Vênus" pré históricas e se devem à ênfase que o ser humano primitivo dava ao aspecto da fertilidade da mulher.

A Deusa era a grande Mãe Natureza, fonte de toda vida. Com o tempo, os homens foram se conscientizando de seu papel na reprodução e o aspecto de fertilizador passou a ser mais um atributo do Deus de Chifres. Ele tornou-se filho da Deusa, pois dela era nascido e também seu amante, pois a fertilizava para que um novo ser surgisse. A partir dessa concepção, novos ritos foram adicionados às práticas mágico-religiosas, onde esculpiam-se ou pintavam-se animais ou humanos copulando e todo clã entregava-se ao ato sexual, já tendo recebido a graça dos Deuses.

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