20 de agosto de 2015

Druidismo

A visão tradicional mostra os Druidas como sacerdotes, mas isso na verdade não é comprovado pelos textos clássicos, que os apresentam na qualidade de filósofos. Se levarmos em consideração que o Druidismo era uma religião natural, da terra, e não uma religião revelada, os Druidas assumem então o papel de diretores espirituais do ritual, conduzindo a realização dos ritos e não de mediadores entre os Deuses e o homem. Ao contrário da ideia corrente no mundo pós Iluminismo sobre a linearidade da vida, no Druidismo, como outras culturas espirituais da antiguidade, a vida é um círculo ou uma espiral.

O Druidismo procurava buscar o equilíbrio, ligando a vida pessoal a fonte espiritual presente na Natureza, e dessa forma reconhecia oito períodos ao longo do ano, sendo quatro solares (masculino) e quatro lunares (feminino), marcados por cerimônias religiosas especiais. A sabedoria Druídica era composta de um vasto número de versos aprendidos de cor e conta-se que que eram necessários cerca de 20 anos para que se completasse o ciclo de estudos dos aspirantes a Druidas. Pode ter havido um centro de ensino Druídico na Ilha de Anglesey, mas nada se sabe sobre o que era ensinado ali. De sua literatura oral (cânticos sagrados, fórmulas mágicas e encantamentos) nada restou, sequer em tradução. Mesmo as lendas consideradas Druídicas chegaram até nós através do prisma das interpretações cristãs, o que torna difícil determinar o sentido original das mesmas. As Tradições que ainda existem do que poderia ter sido suas práticas religiosas foram conservadas no meio rural e incluem a observância do "Halloween", rituais de colheita, plantas e animais que trazem boa ou má sorte e coisas do gênero.
Uma ordem de sacerdotes filósofos de ambos os sexos da sociedade celta pré-cristã na Europa Continental, na Grã Bretanha e na Irlanda; geralmente tidos como equivalentes aos flâmens romanos e aos brâmanes da Índia. De acordo com os autores clássicos, os Druidas da Gália e provavelmente em outras áreas exerciam autoridade sobre os cultos divinos, oficiavam sacrifícios, exercendo autoridade suprema em questões legais e jurídicas, além de serem responsáveis pela educação dos jovens da elite e dos aspirantes à sua ordem. Eles consumiam bolotas de carvalho para se tornarem aptos a artes divinatórias. Os Druidas não pagavam taxas e deles não se exigia que tomassem parte em batalhas. Em assembleias, os discursos tinham precedência até aos dos reis e chefes.

Os ensinamentos e conhecimentos sagrados eram transmitidos oralmente e os pupilos deviam memorizar um grande número de versos, dedicando-se a até 20 anos de estudos. Muitos ensinamentos assumiam a forma de enigmas.

Os Druidas certamente possuíam uma versão da metempsicose segundo a qual a alma humana renascia em diferentes formas. Escritores clássicos viam nisso um paralelo com os ensinamentos de Pitágoras. Como curadeiros, são especialmente associados ao visco e a sua colheita ritual.

A perseguição romana levou a ordem Druídica ao declínio, especialmente após o massacre de Anglesey, que fez com que os Druidas desaparecessem da Bretanha e de Gales. Os Druidas sobreviveram na Irlanda até a chegada do cristianismo, e na Escócia, onde o manto mágico dos Druidas passou aos santos do cristianismo celta. Outros aspectos foram herdados pelos filid, que se ajustaram à nova religião.

Os escritores clássicos nos fornecem uma substanciosa quantidade de informações sobre os druidas, mas nem sempre são consistentes ou apoiadas por textos literários irlandeses ou galeses. Júlio Cesar descreve os druidas como uma única classe letrada, enquanto que seus quase contemporâneos Estrabão e Diodoro Sículus identificam três ordens de sábios: 1. os druidae, filósofos e teólogos; 2. os vates ou mantis, adivinhos e videntes; 3. os bardi, poetas. Apesar dos tênues elos que ligam as sociedades celtas da Gália e da Irlanda, os textos irlandeses mais antigos apontam para uma divisão similar: 1. druídh; 2. filidh, videntes e adivinhos; 3. baird, poetas. Por volta do séc. VII, a fusão com o cristianismo permitiu que os filidh assumissem diversas funções e privilégios dos druidas, os quais vinham desaparecendo do cenário. Os Druidas proibiam a construção de templos aos Deuses ou mesmo a cultuá-los entre paredes ou sob um teto.

O Druidismo é uma espiritualidade profundamente arraigada na terra, mas que se renova a cada novo amanhecer. É uma Tradição que honra nossa terra, os mundos interno e externo, os espíritos da Terra, das Águas e dos Céus, os espíritos de nossos ancestrais; é uma filosofia que possui em sua essência a exploração da relação sagrada, de espírito para espírito.
São três os deveres de um Druida:
  1. Curar a si mesmo.
  2. Curar a comunidade.
  3. Curar a Terra.
Os pilares do Druidismo:
  • Tempo Sagrado/Espaço Sagrado: Nemeton/Roda do Ano

  • Inspiração:
Awen: espírito que flui.
Interconexão: de alma para alma.

O Druidismo não é somente uma Tradição mágica, mas sim uma busca pela pureza da quintessência da vida. Pode-se passar eras e eras ponderando sobre teorias e crenças; pode-se crer ter encontrado alguma verdade superior, o que nos leva a derrapar no desejo de salvação e de poder. Porém, é na experiência da conexão, de espírito para espírito, que podemos saborear a verdadeira inspiração, o verdadeiro leite da Mãe Natureza, o toque dos Deuses.
- Emma Restall Orr
  • Ancestralidade:
Herdamos tudo o que temos e somos de nossos ancestrais. Eles viveram antes de nós e permanecem como mananciais da sabedoria e do conhecimento de nossa Tradição. Praticamente todos os povos do mundo honram e reverenciam seus ancestrais de alguma forma. Contudo, na sociedade ocidental — a mais afastada de suas raízes animistas e xamânicas — a veneração dos ancestrais tem pouca importância em nossa vida diária: essa distorção acaba se manifestando num total desrespeito pelos mais velhos de nossa sociedade, cuja idade e sabedoria são vistas como negativas visões deturpadas.
- Caitlin & John Matthews

  • Honra: 
Os verbos honrar e orgulhar(-se) possuem significados bastante diferentes. Se, por um lado orgulhar-se é, como a própria gramática o nomeia, um verbo "reflexivo", ou seja, uma ação que volta ao indivíduo, por outro lado honrar precisa de um objeto. Quem honra, honra algo. Honrar, portanto, é estabelecer uma relação, uma conexão.

Existe uma percepção equivocada de que honra e moral são sinônimos — não são. A palavra moral traz em seu bojo conotações como certo e errado, bom e mau, bem e mal. Esses conceitos dualistas simplesmente inexistem no Druidismo. Não existe, na Natureza, bem ou mal. Da mesma forma, por ser uma espiritualidade pagã (portanto centrada na Natureza), o Druidismo não reconhece esses princípios. E, ao não reconhecê-los, inviabiliza a redação — seja ela ditada pelos Deuses, recebida por um profeta iluminado ou canalizada por um espírito — de códigos de conduta, de leis, de mandamentos. Como, então, viver uma vida equilibrada sem manuais de instrução? A resposta mais objetiva é: vivendo a vida; inspirando-se nela e por ela; honrando-a. Afinal, a vida não é um aparelho previsível, lógico, mecânico para ter um manual de instruções. Ela é viva, e por assim ser, não existem regras para todos os momentos.

Com equilíbrio, aliando o conhecimento à inspiração, a razão à emoção, o druidismo ensina cada um de nós a descobrir o seu caminho. Esse é um caminho de honra.

  • Transformação:
No Druidismo a mudança é sagrada. Ela é tão integral à nossa Tradução quanto aos ciclos da Natureza, às fases da lua, às marés, às estações do ano...
(...)
Assim como no ciclo do ano no clima temperado das ilhas britânicas e move do verão para o inverno — do crescimento para a decadência — também no Druidismo a escuridão é tão sagrada quanto a luz, a noite é tão vital quanto o dia. Nossos rituais podem ser celebrados nos campos banhados de sol diante de centenas de pessoas, ou ainda na escuridão de uma floresta, na reclusão da noite. A escuridão é vista como o ventre do potencial: é o solo escuro da terra que nos alimenta e no qual se enraízam as árvores. No Druidismo não existe o conceito de bem ou mal: o que existe é a compreensão de que o apodrecimento é necessário para preparar o crescimento e que na escuridão encontramos o medo do desconhecido, mas também a liberdade.
- Emma Restall Orr
Texto por Claudio Quintino Crow.

9 de agosto de 2015

Bruxaria Tradicional Ibérica

Uma bruxaria onde participam pessoas que habitam a região que compreende a Península Ibérica, principalmente Portugal e Espanha. Seus ancestrais adoravam os seus Deuses com cultos diferenciados entre tribos e regiões. Eles amavam e respeitavam os lugares e espíritos da natureza, colhiam e caçavam com bravura e respeito. No passado, a Península Ibérica foi palco de várias influências de vários povos, entre eles os fenícios, cartagineses, suevos, visigodos e celtas. As divindades nunca se mesclaram facilmente com as dos povos invasores. A adoração e o ritual dos Deuses tem a ver co ma Arte Antiga, hoje chamada por uns de "tradicionalista" e claro, muito anterior à Wicca que vemos de Gardner e outros decorrentes. Além disso, é sabido o quanto Gerald Gardner percorreu por várias vezes a Espanha em busca do culto dos Antigos e nunca encontrou realmente o que buscava, pois os grupos de bruxos, conhecidos por Aquelarres e Coevas são fechados e o que se fala para o exterior é cauteloso, de acordo com as leis Wiccanas.

O espírito religioso dos romanos baseava-se na importância dos Deuses de várias regiões conquistadas. Todos os Deuses gregos foram importados, dando origem aos Deuses romanos de poder, influência e semântica similares. Os romanos também querendo absorver os poderes das tribos conquistadas, apropriavam-se dos nomes dos Deuses locais e os aplicavam conforme as conveniências em sua cultura, sem contudo nestes Deuses romanos recém criados existir o verdadeiro sentido mágico religioso. Assim aconteceu com a Deusa Atégina, que após a romanização virou Proserpina, nome deveras conhecido na mitologia romana, mas muito antes de Roma ser criada, os povos locais já conheciam a lenda da descida da Deusa Atégina aos mundos inferiores. 

Podemos notar também pela história que, cinco séculos antes de Roma, já haviam chegado à Europa a cultura dos gregos e dos fenícios, e depois dos cartagineses, que não forçaram os habitantes ibéricos com suas religiões, entretanto foram bastante influentes na passagem de segredos e mistérios aos Sábios tribais dos Santuários primitivos já existentes na Península Ibérica. A tradição dos ibéricos tem uma ancestralidade reconhecida em um vasto panteão autônomo, quase livre de influências exteriores, e nos variadíssimos vestígios históricos, que cada vez mais surgirão à luz dos homens. Não poderíamos ficar alheios também da importância tradizas pelas culturas fenícia, cretense e grega, e cuja cultura resplandescente causou assombro e respeito aos povos nativos ibéricos do litoral português com os cultos de Baal Merkat e Tanith de Cartago, cultuada no seu local em Nazaré. O panteão ibérico é rico e tribal. Os Deuses que compõe esse panteão existem nas antigas regiões da Bética, Lusitânia e da Galécia, e entre outras divindades, cultua-se Endovélico - O Curador, Atégina - A Deusa Mãe, Trebaruna - A Guerreira e Protetora, Boncôncios - O Guerreiro, Tongoenabiagus - O Fertilizador, Tanira - Deusa das Artes, Nabica - A Ninfa das Florestas, Aernus - O Senhor dos Ventos do Norte, Brigantés - A Deusa Guerreira.

Os feiticeiros ibéricos não seguem os atuais calendários usados na Wicca, mas sim os calendários vivos que a própria tradição os ditou através do tempo. Na Bruxaria Ibérica há três celebrações básicas: o nascimento, o apogeu e o Rito aos Idos, onde visitam o Rio do Esquecimento, para cultuar seus antepassados. O culto é dirigido a uma só Deusa ou Deus e cada Divindade é adorada individualmente, salvo algumas exceções, não se aplicando a ritualística de Deusa e seu Consorte, tão difundida pela Wicca, e não existe o conceito de Deuses infernais, nem duos ou trindades de Deuses.

Tradição Diânica

A Tradição Diânica é uma vertente da Wicca onde a Deusa é cultuada com exclusividade ou predominância. Geralmente são grupos extremamente feministas, não permitindo homens e restringindo de alguma forma sua participação enquanto Sacerdotes. Cabe notar que existem Tradições Diânicas que, apesar de privilegiarem o culto da Deusa, não incluem em seus ditames atuações políticas feministas ou a exclusão do masculino. Essas Tradições consideram que ser diânico é um modo de compreender o equilíbrio da Divindade, não sendo de nenhuma maneira um incentivo ao desequilíbrio das polaridades, muito menos a uma guerra entre os gêneros.

Algumas bruxas diânicas só enfocam seu culto na Deusa, são politicamente ativas e feministas. Outras simplesmente enfocam seu culto na Deusa como uma forma de compensar os muitos anos de domínio patriarcal na Terra. Algumas usam esse título para denotar que são as "filhas de Diana", a Deusa protetora delas.

Uma filial fundada no Texas, que dá supremacia à Deusa em sua teologia, mas honra o Deus Cornífero como seu Consorte amado e abençoado.Os membros dos Covens dividem-se entre homens e mulheres. Essa filial é chamada de "Old Dianic" e há alguns Covens descendentes dessa Tradição, especialmente no Texas, onde foi criada. Outros Covens com teologia similares, mas que não descendem diretamente da linha de McFarland (fundador da filial), e que estão espalhados por todo os Estados Unidos.

A outra filial, chamada às vezes de Feitiçaria Feminista Diânica, foca exclusivamente na Deusa e somente mulheres participam de seus Covens e grupos. Geralmente seus rituais são livres e não são hierárquicos, usando a criatividade e o consenso para a realização deles. São politicamente um grupo de feministas.

7 de agosto de 2015

George Patterson e a Tradição Georgina

Se há uma palavra que melhor define a Tradição Georgina, é "eclética." A Tradição Georgina é um composto de rituais Celtas, Alexandrinos, Gardnerianos e Tradicionais, mesmo que a maior parte do material fornecido aos estudantes seja Alexandrino, nunca houve uma imperativa para seguir cegamente seu conteúdo. Essa Tradição foi criada por George Patterson, que se auto intitulou como sendo um Sumo Sacerdote Georgino.

Os boletins de notícias publicados pelo fundador da Tradição estavam cheios de contribuições dos povos de muitas outras Tradições, parece que a intenção de Patterson era fornecer uma visão abrangente aos seus discípulos. A Tradição foi fundada em 1970/1971, em Bakerfield, Califórnia e também era conhecida como a "Igreja Georgina." Apesar de a Tradição ser baseada em ensinamentos tradicionais, seus membros eram incentivados a pensar e criar seus próprios rituais, a fim de tornar viva essa Tradição. Alguns Covens realizavam seus trabalhos vestidos de céus, outros não. Era, nesse ponto, bem mais libertária que suas bases tradicionais. A Tradição Gerogina é, então, bastante similar às Tradições Gardneriana e Alexandrina, em que uma iniciação é necessária para se fazer parte da Tradição. Muitos de seus rituais são semelhantes  aos que aparecem em livros como "Oito Sabbats para Bruxas." George Patterson dizia ter sido inciado em um Coven inglês de raiz céltica, mas sua iniciação jamais pôde ser comprovada.

Seu lema era "se funciona, use; se não funciona, não use", a que significa que qualquer elemento mágico poderia ser usado e adicionado à Tradição e às práticas pessoais, se você tivesse uma boa razão para aquilo. Durante muito tempo, George lançou um informativo que rodava os Estados Unidos, falando exclusivamente sobre a Wicca do ponto de vista de sua Tradição. Depois de sua morte, o jornalzinho continuou sendo veiculado com uma periodicidade menor, até que finalmente deixou de existir. Ele escreveu em um informativo, datado de 1972:

Alguns de nossos rituais são exatamente como nós os recebemos. Mas a maioria é um composto do Tradicional, Céltico, Alexandrino e Gardneriano. Nós pegamos o que acreditamos ser o melhor deles e combinamos em nossos rituais. Nós encontramos felicidade e inspiração em nossos rituais e nosso trabalho para a Deusa e esperamos que todos os praticantes da Arte possam viver em perfeito amor e perfeita confiança.
Hoje em dia, os Georginos não são em grande quantidade. A maioria realmente continua nos Estados Unidos, concentrados em estados como a Califórnia, Florida e Colorado. Há um forte desejo de seus membros propagar a Tradição ao redor do mundo, trabalho que parece estar sendo feito aos poucos.

5 de agosto de 2015

Wicca e as Raízes Celtas

A cultura celta foi uma das mais importantes culturas que predominaram na Europa milhares de anos antes da ascensão e conquista de Roma. Os celtas surgiram na Europa Central em meados do II milênio a.C. e provavelmente se originaram dos povos indo-europeus do continente Asiático, na época do Bronze Tardio e espalharam-se por todo continente europeu a partir da Idade do Ferro.

Os primeiros relatos da existência dos Celtas na Inglaterra e Península Ibérica datam de 1000a. C. Começaram a ocupar as margens do rio Danúbio e Sul da Alemanha a partir de 600 a. C. O avanço das artes e da cultura céltica aconteceu na Suíça às margens do lago Neuchâtel e em La Tène. A partir daí entre os séculos III e V a. C espalharam-se por toda Europa chegando à Turquia e Ásia Menor. Pesquisadores afirmam que os Celtas permaneceram na Irlanda até a época de Cromwell, mais ou menos no século XVII.

Apesar de terem se espalhado por longas distâncias e países diferentes, a cultura celta jamais se fragmentou, pois haviam forças maiores que os unia: a língua, a arte e a religião.

A Religião dos celtas era o Druidismo, uma das religiões mais antigas do mundo. Na organização da sociedade celta, os Druidas exerciam um papel fundamental e de maior importância, já que eram os ministros da religiosidade, guardiões das tradições, cultura e da teologia. O Druidismo eram uma religião politeísta e seus ritos sempre eram realizados ao ar livre, pois os Deuses jamais poderiam ser reverenciados em templos feitos pelas mãos humanas e assim a natureza era reverenciada como a única forma de atingir a essência das divindades.

A raiz filosófica-espiritual dos Celtas era baseada na reverência à duas Grande Divindades: a Grande Deusa Mãe e o Deus Cornífero, chamados de Ceridwen e Cernunos.

Essas duas Grande Divindades garantiam a prosperidade da descendência, da agricultura, do gado e o sucesso na guerra. O calendário céltico tinha uma estreita relação com a agricultura e os ciclos sazonais da natureza. O Druidismo ou a religião céltica pode ser exprimida como o culto à Grande Deusa Mãe, a própria natureza, em todas as suas manifestações.

Os Druidas ensinavam sobre a arte da agricultura, da cura com ervas, da caça entre outras coisas. Realizavam as festas ritualísticas em homenagem as Divindades, além de iniciarem as pessoas nos preceitos da arte da Magia.

A iniciação nos mistérios druídicos durava em média 20 anos e os ensinamentos eram transmitidos oralmente, pois temiam que a palavra escrita pudesse se tornar veículo de Magia incontrolável. Eram versados na adivinhação, onde utilizavam bastões oculares chamados de coelbren para predizer o futuro.

A classe sacerdotal era dividida entre homens e mulheres, mais a sociedade era extremamente matriarcal. Originariamente o sacerdócio era totalmente feminino. As Druidesas eram divididas em 3 classes: a primeira vivia enclausurada para alimentar o constante fogo da Deusa Brigit. As outras 2 classes se casavam e eram as principais participantes nos rituais sagrados.

A raiz filosófica-espiritual dos celtas era baseada na reverência à Grande Deusa Mãe e ao Deus Cornífero. Os pagãos diziam que o Universo foi criado à partir do corpo e da mente da Grande Deusa. Ela é o princípio que simboliza a fecundação e a criação, Mãe de todos os Deuses. Seu filho e consorte, o Deus Cornífero, representa a fertilização.

No final da Idade de Bronze, que data de 5000 a.C. à 2000 a.C., encontramos muitos indícios de culto à Deusa Mãe. Pesquisas arqueológicas trouxeram à tona diversas obras de arte, da mais antigas, que são representações humanas do arquétipo da mãe. Estas descobertas se estendem por toda Europa, África, Escandinávia e diversas outras localidades.

Estatuetas femininas esculpidas em osso, marfim, barro, argila e pedra representando mulheres nuas com longos cabelos, grandes ventres e seios, sempre foram encontradas nas proximidades de lugares sagrados e em sepulturas, significando algo sagrado e de simbologia religiosa.

Foram encontrados também alguns objetos ritualísticos com desenhos da Deusa, que pela data constatada através de testes com carbono 14, datam de 500.000 a.C., o que seriam no paleolítico inferior.

A adoração a Cernunos, filho e consorte da Deusa, também era muito difundida na Europa. Foram encontradas diversas estátuas na Suécia e em Mohenjo Daro, no vale Indo, com representações do Deus Cornífero com galhos de cervo e cercado por diversos animais.

Os homens primitivos, nossos ancestrais, sempre consideraram que o poder divino que presidia a criação era feminino e não masculino, como o cristianismo impôs ao mundo. Torna-se evidente que as crenças religiosas centrais da Europa envolvia a adoração da Grande Deusa Mãe (a Terra e a Lua) e ao Deus (o sol).

Com o advento do século XXI e consequentemente da Era de Aquário, todos estes velhos conceitos estão voltando à tona e ressurge em todo mundo com uma força brutal as crenças e todo o poder da Magia dos Antigos Celtas. A bruxaria é a antiga religião dos povos da Europa, que após quase 2000 anos de exclusão e desaparecimento ressurgiu nos idos de 1940 sob o nome de Wicca, como muitos usam hoje quando se referem às crenças e práticas de origem pagãs.

Talvez o mais antigo relato sobre a prática e a continuidade dos cultos da Bruxaria em nosso século, data de 1921 quando Margaret Murray publicou o livro “The Witch Cult in Western Europe”. Neste livro a famosa e respeitada Dra. Murray revelou que os cultos pagãos pré-cristãos ainda eram conhecidos e realizados em inúmeras partes da Europa. Nesta obra, mencionou que o culto a Cernunos e Ceridwen, os Deuses primordiais dos Celtas, tinha sido incorporado por inúmeros grupos neo-pagãos atuantes da época.

A Magia Wicca surgiu no neolítico nas regiões européias entre os povos da Irlanda, Inglaterra, País de Gales, percorrendo os povos da Itália e da França. O povo Celta, ao invadir a Europa, trouxe suas crenças nativas, que se mesclaram ao conjunto de crendices da população local, dando assim início às práticas Wiccanianas. Apesar da Wicca ter criado raízes entre o povo Celta, é de suma importância ressaltar que a Bruxaria é anterior à estes povos.

Assim como na crença Celta, na Wicca existem duas forças primárias que são veneradas nos rituais, sortilégios e petições: A Grande Deusa Mãe e o seu filho e consorte o Deus Cornífero, um ser meio homem, meio animal, responsável pelos rebanhos e pelas florestas.

A Deusa é o princípio da feminilidade, da fecundidade e da criação. Seu símbolo é a Lua e na Bruxaria ela é a detentora de 3 personalidades e 3 faces que representam o presente, o passado e o futuro; as 3 fases da Lua que são veneradas – Crescente, Minguante e Cheia; os 3 ciclos da vida – Juventude, maturidade e velhice; as 3 cores sagradas da Bruxaria – branco, vermelho e preto. A Deusa é a Grande trindade feminina de Donzela, Mãe, Anciã, tão comum nas mitologias de várias culturas antigas.

Wicca – Ritos e Mistérios da Bruxaria Moderna, 
PRIETO, Claudiney
Germinal - ISBN: 85-86439-05-3

A ênfase está na veneração da Natureza e nos elementos identificados como os Antigos ou Velhos e salienta as propriedades mágicas de árvores e plantas. Sua estrutura e conteúdo ritualístico básico podem ser encontrados, por alto, na maioria das Tradições, por conta de sua ampla influência no formato geral da Wicca.

Em razão do seu enfoque na natureza, os elementos e elementais, é um caminho propício para fadas,  elfos, magia com plantas e etc e muitos Bruxos Verdes são adeptos da Wicca Céltica, centrada nesse antigo panteão de Deusas e Deuses.

3 de agosto de 2015

Gerald Gardner e a Tradição Gardneriana

O caminho Gardneriano é o mais antigo da moderna denominação para a Antiga Religião, também chamada de Wicca, Bruxaria ou simplesmente "A Arte". Ele é um sistema de rituais e conceitos teológicos que têm sido transmitidos através dos anos, de membro para membro, em uma linha direta àquele que foi responsável pela organização e consolidação dos rituais, Gerald Brosseau Gardner. O sistema Gardneriano é apenas um entre vários sistemas existentes para se comunicar com os mistérios da Arte. Uma vez que o aspecto mais importante é passar pelas etapas através da experiência, os Gardnerianos mantêm seus rituais em segredo daqueles que não foram iniciados na Tradição. Deste modo, se concede a cada pessoa, a oportunidade de constatar por si mesma o que a experiência de cada ritual significa. Não falam sobre o que vai ocorrer no ritual e nem procuram encontrar o significado desta experiência. Em vez disso, conjuntamente exploram a natureza dos mistérios.

O meio usado para que os segredos sejam mantidos através de juramentos solenes, feitos perante os Deuses. Nestes juramentos, o novo iniciado promete não revelar detalhes sobre instrumentos mágicos, nomes sagrados e aspectos específicos da Tradição Gardneriana e quais são os modos particulares de expressar os mistérios. No entanto, os conceitos expressados em cada ritual  podem ser livremente discutidos e explicados, simplesmente não usam exemplos específicos da Tradição para isso. A primeira divisão que os Gardnerianos fazem é estabelecer a dualidade entre o Deus e a Deusa. Simplesmente entenda que a Deusa é a mãe que dá a vida e o Deus é o Senhor de Chifres da Morte. A Deusa é a Lua e o Deus é o Sol. A Deusa é a Terra e o Deus é o céu. Através da união deles que tudo passa a ter sentido e é dessa união que o Todo Divino é criado. Deste modo, a ideia de uma união criadora é o pilar central para a compreensão da Tradição Gardneriana. Isto é polaridade, a ideia de opostos de uma união harmoniosa. O mesmo conceito exposto pelo símbolo Ying e Yang. Duas metades que se unem para formar algo maior que a soma de suas partes.

Os Gardnerianos usam imagens de arquétipos para demonstrar a união entre o feminino e masculino, mas não reivindicam que essa é a única forma de expressão, nem forçam que uma pessoa as aceite para tornar-se Gardneriano. O que é necessário é a compressão do conceito e ser capaz de visualizar sua beleza e trabalhar dentro do conceito ritual. Os Gardnerianos tem a filosofia de que precisamos e nos damos aos Deuses e em igual medida eles se dão e precisam de nós. Não vêem os Deuses como estando em algum lugar desconhecido, pelo contrário, o Divino está entre nós e nós estamos entre o Divino.

Os Gardnerianos usam os ciclos da natureza e suas simbologias para representar os mistérios. Honram o planeta Terra e respeitam todos os seus seres vivos, sabendo que são parte de um ciclo natural e que devem repor tudo que retiram, assim como compreendem que todo ser vivo sobrevive através de uma morte. Portanto, permitem-se retirar a vida do que lhes é necessário para viver e reconhecem tal necessidade perante os Deuses e o mundo. Assim, não só lutam contra o medo da morte, mas sim em aceitá-la como parte natural de um ciclo, reconhecendo que assim como compartilham das alegrias da vida, devem compartilhar as tristezas da morte. Acreditam na ideia de reencarnação, contudo a forma exata como é compreendida é uma questão religada ao entendimento individual. Isso significa que trabalham com a ideia de ciclo da vida, morte e renascimento. Sabem que se irão viver, então devem morrer, assim como sabem que irão renascer. Observam esse fato claramente através dos ciclos da natureza a nossa volta. Logo, considerando que não são diferentes da natureza, o mesmo é verdade para nós.

Celebram 8 Sabbats anuais, tanto para celebrar  as etapas dos ciclos da natureza como tomar parte delas. Desta maneira, aflaram seu sentimento como parte da natureza e, por isso, sua ênfase em comemorar as estações e as fases da Roda do Ano. Nós e o planeta Terra somos um e o que fazemos, a Terra faz e vice versa. Além desses eventos, se reúnem nas luas cheias e nos momentos que desejarem ou for necessário para os membros dos Covens. Aceitam e compreendem o trabalho mágico. Definem tal assunto como sendo sua conexão com o Todo. Afinal, se são uma única coisa, então afetar o clima é simples como o fato de erguer nossa mão. Nossa ligação com nossa mão é o que nos possibilita levantá-la e da mesma forma entendem que esse vínculo possibilita trabalhar a magia.  Evidentemente existem limites, leis naturais, modo como o universo funciona, e não podemos ir contra tais leis.

Aceitam a Lei Tríplice do Retorno e seguem a Rede Wiccana. A Lei Tríplice manda que tudo que você fizer, bom ou ruim, afetará tudo ao seu redor e eventualmente retornará para o responsável, ampliando por todas as interações ocorridas. Se você luta para ajudar aqueles que precisam, não fique surpreso se ajuda aparecer quando você precisar. A Rede Wiccana afirma: "Se nenhum mal causar, faça o que quiser." Tal não é uma simples declaração de que você pode fazer o que quiser desde que não machuque ninguém, Na verdade, é um conselho profundo sobre os relacionamentos de nossas motivações e a responsabilidade de ser um Bruxo. Afirma que primeiro você deve saber sua motivação, o que é bem diferente do que você quer e deseja. Em segundo, lhe atribui a responsabilidade de ter que investigar as consequências que ocorrerão caso sua vontade seja colocada em prática. Em terceiro, aconselha que nenhuma consequências ruim deva ocorrer em decorrência do trabalho de seu objetivo. Finalmente, é um ato de comando.

Lembre-se, a Rede não afirma "você talvez possa fazer o que quiser", a Rede fiz "faça o que quiser", sendo relacionada a ação (ética e responsável) que está preparada para assumir as consequências, sejam elas quais forem. A Rede é uma declaração que assegura que tudo que foi feito para a consolidação de sua vontade não fará mal nenhum, porém também declara que a pessoa aceita as responsabilidades por seus atos. 

Na Tradição, cada Coven é comandado por um Alto Sacerdote e por uma Alta Sacerdotisa, que trabalham juntos, cabendo à Alta Sacerdotisa a decisão final em caso de divergências. As pessoas que foram treinadas pelo Alto Sacerdote e Alta Sacerdotisa do Coven se referem a eles como Rainha e Mago.

Cada Coven é autônomo, e isso significa que não existe uma autoridade central e que cada Alto Sacerdote e Sacerdotisa decidem como devem administrar o treinamento dos novos iniciados e, dentro de certos limites, como representar os rituais. Rainha e Mago de um Coven são responsáveis por zelar para que seu Coven não passe dos limites definidos pela Tradição, no entanto não possuem autoridade sobre aqueles que receberam autorização para iniciar um novo grupo. Contudo, mesmo não tendo autoridade formal sobre o Coven novato, a Rainha e Mago devem se tratados com respeito e carinho de anciãos e assim o sentimento de união da Tradição faz com que ela se propague como uma família.

A Tradição usa o Sistema de Três Graus. O postulante deve trabalhar com o Coven sem ter contato com os elementos secretos durante o período de um ano e um dia. Sendo que a elevação de grau normalmente segue o mesmo período de tempo. A etapa que antecede a primeira iniciação pode ser comparada a uma gestação, pois o postulante está sendo preparado para uma nova vida. A iniciação no Primeiro Grau é o nascimento, sendo que o novo membro pouco sabe sobre o novo mundo e sua linguagem. A iniciação de Segundo Grau é equivalente a puberdade e se espera que o membro do Coven aprenda a se comportar como adulto no mundo Gardneriano, apendendo como executar rituais e transmitir os mistérios. A iniciação no Terceiro Grau ocorre quando o membro do Coven possui todas as características plenas e, consequentemente, será capaz de partir para estabelecer seu próprio Coven. Trata-se de uma grande responsabilidade, moldada em alegria e renovação em nome de uma nova jornada longe dos cuidados da Rainha e Mago.

Esta é uma visão geral da Tradição. Uma das muitas maneiras de expressar a beleza da Antiga Religião.