Os Alexandrinos definem Wicca como uma religião de mistérios, pagã, iniciática, voltada para a natureza e de segredos, com suas raízes nas Ilhas Britânicas. Para diferenciar das demais Tradições que não tem vínculo com Gerald Gardner ou Alex Sanders, determinamos BTW (British Traditional Wicca) ou apenas TW (Traditional Wicca).
O nome Alexandrina é, geralmente, visto pelos iniciados na Tradição como uma referência ao seu fundador Alex Sanders, assim como uma referência à Grande Biblioteca de Alexandria, que era um centro de conhecimento e ocultismo no mundo antigo.
Alex Sanders foi inciado a Wicca no início da década de 60, na Tradição Gardneriana. Mais tarde, ficou conhecido por sua sabedoria em Magia Cerimonial, assim como por suas aparições na mídia e seu título Rei dos Bruxos, que foi concedido à Sanders por líderes de vários Covens no fim da mesmo década. De acordo com sua ex mulher, Maxine Sanders, ele foi membro de, pelo menos, dois Covens antes de se casar com ela e fundar o "London Coven", de onde os membros da Tradição Alexandrina descendem.
Alex era um homem extravagante e, entre outras coisas, um showman nato. Ele brincava com a imprensa em todas as oportunidades, para desespero dos conservadores anciões da Antiga Religião. Alex também era conhecido como curandeiro, vidente e poderoso bruxo. Sanders foi, em grande parte, responsável em tornar o público ciente sobre a Antiga Religião.
Devido ao comportamento de Sanders com a mídia e conflitos com duas Sacerdotisas da época, um racha aconteceu dentro da comunidade Wicca. Essa rachadura foi início do que, mais tarde, viria a ser conhecida como Tradição Alexandrina. O termo "Alexandrina" foi dito por Maxine Sanders e reproduzido por Stewart Farrar, enquanto escrevia "What Witches Do", em 1971. No entanto, ao ser entrevistado por Stewart, Sanders disse:
"Os bruxos que não querem publicidade tendem a chamar os meus iniciados de alexandrinos."
Ou seja, o termo foi criado por Alex ou foi resultante de cunho pejorativo, do mesmo modo que o termo gardneriano surgiu. Os primeiros iniciados dos Sanders se referem a si mesmos como wiccas ou bruxos. Os Sanders tiveram o cuidado de documentar suas iniciações metodicamente, tornando assim, o primeiro passo para que a Tradição se tornasse a mais precisa e correta com seus membros.
Naturalmente existem muitas dúvidas sobre as Tradições. Ao contrário do que muitos pensam, nem todos os alexandrinos trabalham com Magia Cerimonial, tais como Cabala e Magia Enochiana. Alex Sanders estava constantemente desenvolvendo suas práticas mágicas e transmitindo seus novos conhecimentos aos seus iniciados. O resultado é que linhagens descendentes de Sanders possuem diferenças, apesar de manterem o núcleo tradicional da Wicca. Alguns alexandrinos são fortemente voltados para a Magia Cerimonial, enquanto outros são mais voltados para o folclore. Treinamento sempre tem sido o ponto forte dessa Tradição, com cada nova geração adicionando conhecimento ao que foi transmitido pela antiga geração. Essa diversidade torna a Tradição dinâmica, mas com pés firmes na Wicca.
Alex Sanders faleceu próximo à Samhain, 30 de Abril de 1988 e, com sua morte, um conselho de anciãos da Tradição Alexandrina foi convocado.
Tradicionalmente, os alexandrinos trabalham e adoram os Antigos Deuses da Europa, com foco primário na Senhora da Lua e seu Consorte, o Senhor de Chifres. No entanto, seus Deuses não são ciumentos e os iniciados podem louvar outras deidades em suas práticas particulares ou dentro de seu Coven.
Buscam uma conexão com as divindades, com seus ancestrais e com os ciclos da natureza. Acreditam no poder da magia, utilizando tanto técnicas tradicionais como experimentos em prol de obter seus objetivos.
A Tradição Alexandrina é organizada em Covens. Alguns praticam vestidos de céu (nus), enquanto outros preferem trabalhar usando túnicas. No entanto, determinado rituais exigem a nudez ritual por parte de todos os Covens alexandrinos reconhecidos. Para tornar-se um iniciado alexandrino, a pessoa precisa ser iniciada por um Alto Sacerdote (ou Alta Sacerdotisa) alexandrino, respeitando a regra entre gêneros (homem para mulher e mulher para homem). Os rituais iniciatórios devem ser usados sem subtração de nenhuma parte, tal como transmitido através de cada linhagem desde o Coven alexandrino original. Não é possível se auto iniciar na Wicca Alexandrina.
A Tradição consiste em três níveis; conhecidos como graus. O primeiro grau torna o iniciado em Sacerdote ou Sacerdotisa, o segundo grau torna o elevado em Alto Sacerdote/Sacerdotisa, e o terceiro grau é conferido para os que saem para comandar seus próprios Covens. O tempo entre os graus pode variar entre as linhagens alexandrinas e depende do foco em que cada Coven confere seu treinamento. Na Tradição Alexandrina a pessoa passa pelos graus dependendo de seu crescimento pessoal e interno, investido do critério temporal da Wicca Gardneriana (ex. 1 ano e 1 dia).
Uma pessoa com o segundo grau pode iniciar um Coven e iniciar outros até o segundo grau, com permissão de seus anciãos. Os Covens comandados por Sacerdotes de segundo grau ficam sob responsabilidade dos anciãos do "Coven mãe" até que os Sacerdotes estejam preparados para receber a elevação ao terceiro grau. A autonomia conferida aos Sacerdotes de segundo grau varia dependendo da linha que o Coven descende. Em contrapartida, os Sacerdotes do terceiro grau são completamente autônomos, respondendo pelos seus atos perante os Deuses e perante a Tradição como um todo.
Diferente da Wicca Gardneriana, pode existir o grau Dedicado, que permite que a pessoa participe de alguns rituais antes de se firmar compromisso eterno com os Deuses. Este procedimento expõe o candidato à Tradição, permitindo aos Sacerdotes uma melhor análise do potencial e vocação do mesmo.
A Tradição é matrifocal e a Alta Sacerdotisa é considerada "a primeira entre iguais" e detém a palavra final em todos os assuntos do Coven. Ou seja, é por costume que a palavra da Sacerdotisa seja a lei do Coven. No entanto, a autoridade dela se limita aos assuntos referentes à Arte. Normalmente a Alta Sacerdotisa tem o suporte do Alto Sacerdote.
Logo após a iniciação, se começa a transmissão do Livro das Sombras e do conhecimento oral, deixando clara a responsabilidade sobre estes ensinamentos. Ao contrário do que se imagina, O Livro das Sombras Alexandrino não pode ser comprado em uma livraria, nem obtido pela internet.
A Wicca Aexandrina celebra os 8 Sabbats da Roda do Ano e também se reúnem às Luas Cheias para celebrar os Esbats em homenagem à Deusa. Nem o Rei do Carvalho e nem o Rei do Azevinho fazem parte das celebrações oficiais.
Iniciação e elevação são um privilégio e não um direito. Para ser iniciado na Wicca, a pessoa precisa provar ser adequada para tal. Esse aspecto será analisado pelos anciãos do Coven, que observarão: sinceridade, caráter, maturidade, espiritualidade, nível de compreensão, ética e personalidade. Outro ponto importante é a química entre o postulante e os demais membros do grupo.
Na Wicca nunca se deve pedir dinheiro em troca de iniciação e/ou ensino da nossa religião. Na Tradição Alexandrina alguns Covens dividem os gastos básicos e segue o lema "Se não prejudicar ninguém, faça o que quiser." Atos totalmente puros de prejuízo, visto que é praticamente impossível não causar impacto em algo ou alguém. Somos totalmente responsáveis pelas nossas escolhas na vida.
É uma Tradição secreta, dese modo, muitos detalhes de como e porque fazem determinada prática é segredo. Eles tem a Tradição e seu conhecimento como sagrados e privados, e acreditam que a prática por pessoas que não foram propriamente treinadas é algo perigoso que pode causar sérios resultados. Eles mantem segredo não por elitismo, mas por respeito, cautela e consideração com os mesmos e os demais.