27 de setembro de 2015

Yule - Solstício de Inverno


Hemisfério Sul: 20 de Junho | Hemisfério Norte: 20 de Dezembro

Também conhecido como Ritual de Inverno e Alban Arthan, o Solstício de Inverno é a noite mais longa do ano, marcando a época em que os dias começam a crescer e as horas de escuridão a diminuir. É o festival de renascimento do Sol e o tempo de glorificar o Deus (o aspecto do Deus invocado nesse Sabbat por certas tradições Wiccanas é Frey,  Deus escandinavo da fertilidade, deidade associada à paz e à prosperidade). São também celebrados o amor, a união da família e as realizações do ano que passou.

Nesse Sabbat, os Bruxos dão adeus à Grande Mãe e bendizem o Deus renascido que governa a metade escura do ano. Nos tempos antigos, o Solstício de Inverno correspondia à Saturnália romana, a ritos de fertilidades pagãos e a vários ritos de adoração ao Sol. Os costumes modernos que estão associados ao dia cristão do natal, como a decoração da árvore, o ato de pendurar o visco e o azevinho, são belos costumes pagãos que datam da era pré-cristã.

A queima da acha de Natal originou-se do antigo costume da fogueira de Natal que era acesa para dar vida e poder ao sol, que, pensava-se, renascia no Solstício do Inverno. Tempos mais tarde, o costume da fogueira ao ar livre foi substituído pela queima dentro de casa de uma acha e por longas velas vermelhas gravadas com esculturas de motivos solares e outros símbolos mágicos. Como o carvalho era considerado a árvore Cósmica da Vida pelos antigos druidas, a acha de Natal é tradicionalmente de carvalho. Algumas tradições Wiccanas usam a acha de pinheiro para simbolizar os deuses agonizantes Attis, Dionísio ou Woden. Antigamente as cinzas da acha de Natal eram misturadas à ração das vacas, para auxiliar numa reprodução simbólica, e eram espargidas sobre os campos para assegurar uma nova vida e uma Primavera fértil.

Pendurar visco sobre a porta é uma das tradições favoritas do Natal, repleta de simbolismo pagão, e outro exemplo de como o Cristianismo moderno adaptou vários dos costumes antigos da Religião Antiga dos pagãos. O visco era considerado extremamente mágico pelos druidas, que o chamavam de "árvore Dourada". Eles acreditavam que ela possuía grandes poderes curadores e concedia aos mortais o acesso ao Submundo. Houve um tempo em que se pensava que a planta viva, que é na verdade um arbusto parasita com folhas coriáceas sempre verdes e frutos brancos revestidos de cera, era a genitália do grande deus Zeus, cuja árvore sagrada é o carvalho. O significado fálico do visco originou-se da idéia de que seus frutos brancos eram gotas do sêmen divino do Deus em contraste com os frutos vermelhos do azevinho, iguais ao sangue menstrual sagrado da Deusa. A essência doadora de vida que o visco sugere fornece uma substância divina simbólica e um sentido de imortalidade para aqueles que o seguram na época do Natal. Nos tempos antigos, as orgias de êxtase sexual acompanhavam freqüentemente os ritos do deus-carvalho; hoje, contudo, o costume de beijar sob o visco é tudo o que restou desse rito.

A tradição relativamente moderna de decorar árvores de Natal é costume que se desenvolveu dos bosques de pinheiro associados à Grande Deusa Mãe. As luzes e os enfeites pendurados na árvore como decoração são, na verdade, símbolos do sol, da lua e das estrelas, como aparecem na árvore Cósmica da Vida. Representam também as almas que já partiram e que são lembradas no final do ano. Os presentes sagrados (que evoluíram para os atuais presentes de Natal) eram também pendurados na árvore como oferendas a várias deidades, como Attis e Dionísio.

Outro exemplo das raízes pagãs das festas de Natal está na moderna personificação do espírito do Natal, conhecido como Santa Claus (o Papai Noel) que foi, em determinada época, o deus pagão do Natal. Para os escandinavos, ele já foi conhecido como o "Cristo na Roda", um antigo título nórdico para o Deus Sol, que renascia na época do Solstício de Inverno.

Colocar bolos nos galhos das macieiras mais velhas do pomar e derramar sidra como uma libação consistiam num antigo costume pagão da época do Natal praticado na Inglaterra e conhecido como "beber à saúde das árvores do pomar". Diz-se que a cidra era um substituto do sangue humano ou animal oferecido nos tempos primitivos como parte de um rito de fertilidade do Solstício do Inverno. Após oferecer um brinde à mais saudável das macieiras e agradecer a ela por produzir frutos, os fazendeiros ordenavam às árvores que continuassem a produzir abundantemente.

Os alimentos pagãos tradicionais do Sabbat do Solstício do Inverno são o peru assado, nozes, bolos de fruta, bolos redondos de alcaravia, gemada e vinho quente com especiarias.

Esse dia marca a morte e o renascimento do Deus Sol, marca também a derrota do Rei Azevinho, Deus do Ano Minguante, pelo Rei Carvalho, Deus do Ano Crescente. A Deusa, que era a morte em vida no Solstício de Verão, exibe agora seu aspecto de vida em morte, pois ela é a Rainha da Escuridão nesse Sabbat, mas também é a mãe que dá a luz à criança promessa, que irá fertilizá-la mais tarde e trazer de volta a luz e o calor ao seu reino.

20 de setembro de 2015

Samhain - Final do Verão (Ano Novo)


Hemisfério Sul: 1 de Maio | Hemisfério Norte: 31 de Outubro

O Samhain (pronuncia-se "souen"), também chamado de Halloween, Hallowmas, Véspera de Todos os Sagrados, Véspera de Todos os Santos e Festival dos Mortos, é o mais importante dos oito Sabbats dos Bruxos. Como Halloween, é um dos mais conhecidos de todos os Sabbats fora da comunidade wiccana e o mais mal-interpretado e temido.

Samhain celebra o final do Verão, governado pela Deusa, significando "Final do Verão". É o mais importante de todos os Festivais, pois, dentro do círculo, marca tanto o fim quanto o início de um novo ano. Nessa noite, o véu entre o nosso mundo e o mundo dos mortos se torna mais tênue, sendo o tempo ideal para nos comunicarmos com os que já partiram.

Essa palavra significa "Sem Luz", pois, nessa noite, o Deus morreu e mundo mergulha na escuridão. A Deusa vai ao Mundo das Sombras em busca do seu amado, que está esperando para nascer. Eles se amam, e, desse amor, a semente da luz espera no Útero da Mãe, para renascer no próximo Solstício de Inverno como a Criança da Promessa. A Roda continua a girar para sempre. Assim, não há motivo para tristezas, pois aqueles que perdemos nessa vida irão renascer, e, um dia, nos encontraremos novamente, nessa jornada infinita de evolução. 

É também o início da estação da cidra, um rito solene e o festival dos mortos. É o momento em que os espíritos dos seres amados e dos amigos já falecidos devem ser honrados. Houve uma época na história em que muitos acreditavam que era a noite em que os mortos retornavam para passear entre os vivos. O sentido do Halloween é nos sintonizarmos com os que já partiram para lhes enviar mensagens de amor e harmonia. 

A noite do Samhain é uma noite de alegria e festa, pois marca o início de um novo período em nossas vidas, sendo comemorado com muito ponche, bolos e doces. A cor do sabá é o negro, sendo o Altar adornado com maçã, o símbolo da Vida Eterna. O vinho é substituído pela sidra ou pelo suco de maçã. Deve-se fazer muita brincadeiras com dança e música. Os nomes das pessoas que já se foram são queimados no Caldeirão, mas nunca com uma conotação de tristeza.

É quando o Deus Cornífero se sacrifica para se tornar a semente do próprio renascimento em Yule . É quando os pastores recolhem o gado e o povo recolhe-se em casa, fugindo da época mais escura do inverno. A data marca o fim do calendário Celta. A noite de Samhain se encontra no meio exato entre o ano que se vai e o que vem pela frente, e é portanto uma data atemporal.

A versão cristã do Samhain é o Dia de Todos os Santos, que foi introduzido pelo Papa Bonifácio IV, no século VII, para substituir o festival pagão. O Dia dos Mortos é outra adaptação cristã ao antigo Festival dos Mortos. É observado pela Igreja Católica Romana como um dia sagrado de preces pelas almas do purgatório.

Em várias regiões da Inglaterra acredita-se que os fantasmas de todas as pessoas destinadas a morrer naquele ano podem ser vistos andando entre as sepulturas à meia-noite de Samhain. Pensava-se que alguns fantasmas tinham natureza má e, para proteção, faziam-se lanternas de abóboras com faces horrendas e iluminadas, que eram carregadas como lanternas para afastar os espíritos malévolos. Na Escócia, as tradicionais lanternas Hallows eram esculpidas em nabos.

Um antigo costume de Samhain na Bélgica era o preparo de "Bolos para os Mortos" especiais (bolos ou bolinhos brancos e pequenos). Comia-se um bolo para cada espírito de acordo com a crença de que quanto mais bolos alguém comesse, mais os mortos o abençoariam.

Outro antigo costume de Samhain era acender um fogo no forno de casa, que deveria queimar continuamente até o primeiro dia da Primavera seguinte. Eram também acesas, ao pôr-do-sol, grandes fogueiras no cume dos morros em honra aos antigos Deuses e Deusas, e para guiar as almas dos mortos aos seus parentes.

Era no Samhain que os Druidas marcavam o seu gado e acasalavam as ovelhas para a Primavera seguinte. Diz-se que acender uma vela de cor laranja à meia-noite no Samhain e deixá-la queimar até o nascer do sol traz boa sorte; entretanto, de acordo com uma lenda antiga, a má sorte cairá sobre todo aquele que fizer pão nesse dia ou viajar após o pôr-do-sol.

As artes divinatórias, como a observação de bola de cristal e o jogo de runas, na noite mágica de Samhain, são tradições wiccanas, assim como ficar diante de um espelho e fazer um pedido secreto.

Os alimentos pagãos tradicionais do Sabbat Samhain são maçãs, tortas de abóbora, avelãs, Bolos para os Mortos, milho, sonhos e bolos de amoras silvestres, cerveja, sidra e chás de ervas.

13 de setembro de 2015

A Transição do Roda do Ano


Em Samhain, O Festival do Retorno da Morte, os portões dos mundos se abrem e a Deusa transforma-se na Velha Sábia, a Senhora do Caldeirão, e o Deus é o Rei da Morte que guia as almas perdidas através dos dias escuros do inverno.

Em Yule, a escuridão reina como se estivéssemos no Caldeirão da Deusa. Assim, o Rei das Sombras transforma-se na Criança da Promessa, o Filho do Sol, que deverá nascer para restaurar a natureza.

Em Imbolc, a luz cresce, o Deus nascido em Yule se manifesta com todo o seu vigor e a Criança da Promessa cresce com vitalidade e é festejada, pois os dias tornam-se visivelmente mais longos e renova-se a esperança. 

Em Ostara, luz e sombra são equilibradas. A luz da vida se eleva e o Deus quebra as correntes do inverno. A Deusa é a virgem e o Deus renascido é jovem e vigoroso. O amor sagrado do Deus e da Deusa é a promessa do renascimento e da fertilidade.

Em Beltane, a Deusa se transforma em uma linda mulher e assim Eles se unem e a sua paixão sustenta o mundo.

Chega Litha, a Deusa é a Rainha do Verão e o Deus um homem de extrema força e virilidade. O Sol começa a minguar e o Deus começa a seguir rumo ao País de Verão. A Deusa é pura satisfação e monstra isso através das folhas verdes e das lindas flores do verão.

Em Lammas, a Deusa dá a luz e o Deus novamente morre para que a vida possa progredir e crescer. O Deus se sacrifica para que a humanidade seja nutrida, mas através dos grãos Ele renasce. 

Em Mabon, as luzes e as trevas se equilibram novamente, porém o Sol começa a minguar mais rapidamente. O Deus torna-se, então, o Ancião, o Senhor das Sombras. Chega novamente Samhain e o ciclo recomeça, assim tudo retorna à Deusa.

A Roda do Ano


Os bruxos acreditam que tudo na vida é cíclico. O mito a Roda do Ano foi a forma encontrada para sacralizar os ritos da natureza. Assim, dentro da Roda do Ano observamos as mudanças de estações, festivais de colheita e as mudanças da Lua, todos os ciclos que se complementam e nos sugerem um aprofundamento interior. Os festivais da colheita são festivais essencialmente célticos, apesar de existirem práticas italianas relacionadas. Como os povos pagãos eram extremamente ligados a terra e dependiam da colheita para sobreviver, tudo era celebrado com muita festa e reverência. Esses festivais evoluíram a partir de várias tradições, são sazonais e refletem o ciclo progressivo tanto das sociedades agrárias quanto das sociedades caçadoras. Representam o ciclo anual da Deusa como Donzela, Mãe e Anciã, e o nascimento, casamento, maturação e morte do Deus. A Lua representa quatro fases e as bruxas estão sempre ligadas a tais mudanças. Como a Luz esteve sempre ligada à menstruação, é natural que as mulheres desenvolvam uma conexão mais natural com o satélite. A Luz está intimamente ligada à Grande Mãe e suas faces.

A Roda do Ano é uma sacralização do real, do que realmente acontece na natureza, mas também é cheia de simbolismos. Esses simbolismos vêm da observação daqueles que, durante os séculos, escreveram seus livros sagrados e rituais. Tudo que é dito no mito da Roda do Ano é um reflexo do que acontece na natureza, tanto em humanos quanto em animais ou plantas. É a famosa frase "tanto em cima, como embaixo". Ou seja, o que acontece no reino dos Deuses, acontece conosco."

Assim, a Deusa e o Deus se unirem em Beltane significa toda fertilidade da terra naquele momento. Algumas Tradições pagãs realizam em Beltane o ritual de união de casais, onde fazem seus votos por um ano e um dia e em Beltane próximo decidem se querem renovar esses votos ou se separar. Em Beltane, a natureza transborda vida. No Solstício de Verão (Litha) é o auge do Deus Sol. Trata-se do dia mais longo do ano e, a partir dali, bem lentamente os dias começam a ficar mais curtos. Muitas pessoas não costumam reparar nisso, mas a partir do momento que você passa a observar, vê como isso é visível a todos. Não só o Sol começa a enfraquecer, mas todos nós vamos ficando mais introspectivos a medida que o inverno vai se aproximando. 

Na colheita dos grãos de Lammas você começa a ver como a decadência do Sol fica mais evidente. Ele está se despedindo, se sacrificando pelos grãos que nasceram. O verão está nitidamente acabando, podemos sentir isso no alaranjado do céu, na sensação de "fim de férias" e a volta dos afazeres tradicionais. O outono chega e você percebe que o inverno vai chegar também. Mais um ano se passou e estamos com aquela sensação de introspecção, vontade de ficarmos contemplativos e reflexivos. O inverno está vindo e o que fizemos de novo? O que podemos realizar de novo no ano que virá? Os dias estão cada vez mais escuros e a reflexão interior nos faz lembrar do que passou... 

Lembramos não só do que fizemos no último ano, mas em toda nossa vida. Lembramos de quando éramos crianças,  de nossos pais, nossos familiares que já se foram... Samhain. A escuridão prevalece e o véu entre os mundos está fino, propício para honrarmos nossos parentes que já se foram. Não é momento de ficar triste, mas de fazer festa para que nossos amigos que já morreram vejam como estamos felizes por eles. Quem disse que a pessoa quando morre fica triste? Triste ela ficaria de ver triste aqueles que amam, então alegrem-se! Este é o momento de dizer o quanto a vida é boa, apesar dos problemas comuns e como sentimos falta de nossos antepassados. No Solstício de Inverno (Yule), a noite mais longa do ano, percebemos o quão conectados com a Deus e seu filho que nasce. A terra está pura, no início dos tempos novamente. Novas esperanças renascem, projetos emergem das cinzas. A escuridão nos remete ao renascimento de todas as coisas, inclusive de nossas prórpias atitudes e sentimentos. 

Da mesma forma que a Lua Negra se torna Crescente, a Deusa Anciã da escuridão se torna a Deusa Jovem em Imbolc; a donzela dos novos ventos e esperanças. Os dias vão ficando mais longos e a primavera está chegando... O inverno já passou. Cada vez mais o frio vai dizendo adeus e dando início e lugar ao Sol que volta forte, como no início, crescendo e amadurecendo até chegar novamente em Beltane, onde a terra estará fértil novamente. E assim é a Roda, assim é nossa vida.