21 de dezembro de 2015

Lammas - Festa da Colheita


Hemisfério Sul: 2 de Fevereiro | Hemisfério Norte: 1 de Agosto

Este é o primeiro dos três sabbats da colheita. O Deus já dominou o mundo das trevas e agora passará por leves mudanças, seu poder está declinando com o passar dos dias. Por isso, o honramos e agradecemos pela energia dispensada sobre as colheitas.

O dia é comumente associado a Lugh, Deus Celta do Sol. Lammas era tipicamente uma festa agrícola, onde se agradecia pela primeira colheita do ano. Lugh é o Deus Sol e na Mitologia Celta é o maior dos guerreiros, que derrotou os gigantes que exigiam sacrifícios humanos do povo. 

A tradição pede que sejam feitos bonecos com espigas de milho ou ramos de trigo representando os Deuses, que nesse festival são chamados Senhor e Senhora do Milho. Nessa data deve-se agradecer a tudo o que colhemos durante o ano, sejam coisas boas ou más, pois até mesmo os problemas são veículos para a nossa evolução.

O outro nome do sabbat é Lammas, que significa "A Massa de Lugh". Isso se deve ao costume de se colher os primeiros grãos e fazer um pão que era dividido entre todos. Os membros do Coven devem fazer um pão comunitário que deverá ser consagrado junto com o vinho e repartido dentro do círculo.

O primeiro gole de vinho e o primeiro pedaço de pão devem ser jogados dentro do Caldeirão para serem queimados juntamente com papéis, onde serão escritos os agradecimentos e grãos de cereais. 

O boneco representando o Deus do milho também é queimado para nos lembrar de que devemos nos livrar de tudo o que é antigo e desgastado para que possamos colher uma nova vida. O altar é enfeitado com sementes, ramos de trigo, espigas de milho e frutas da época. 

Os alimentos pagãos tradicionais do sabbat Lammas são pães caseiros (trigo, aveia e, especialmente, milho), bolos de cevada, nozes, cerejas silvestres, maçãs, arroz, cordeiro assado, tortas de cereja, vinho de sabugueiro, cerveja e chá de olmo.

13 de dezembro de 2015

Litha - Solstício de Verão


Hemisfério Sul: 21 de Dezembro | Hemisfério Norte: 21 de Junho

O Solstício do Verão (ou Meio do Verão, Alban Hefin ou Litha), também conhecido como Dia de São João, na Europa, marca do dia mais longo do ano, quando o Sol está no seu zênite. Para os Bruxos e os Pagãos, esse dia sagrado simboliza o poder do sol, que marca um importante ponto decisivo da Grande Roda Solar do Ano, pois, após o Solstício do Verão, os dias se tornam visivelmente mais curtos.

Em certas tradições wiccanas, o Solstício do Verão simboliza o término do reinado do ano crescente do Deus Carvalho, que é, então, substituído pelo seu sucessor, o Deus Azevinho do ano decrescente. (O Deus Azevinho reinará até o Sabbat do Inverno, o dia mais curto do ano.)

O Litha era celebrado com grandiosas fogueiras pelos povos da Europa. As fogueiras representam o grande poder do Rei Solar e concediam mais energia ao astro para que o Verão durasse mais tempo de forma que o inverno não fosse tão rígido.

Também era comemorado nos tempos antigos com jogos e festivais. O corpo e o físico são reverenciados nesta data. Nesse dia o Sol atingiu a sua plenitude. O Deus chega ao ponto máximo de seu poder. O Solstício do Verão é uma época tradicional, em que os Bruxos colhem as ervas mágicas para encantamentos e poções, pois acredita-se que o poder inato das ervas é mais forte nesse dia. é o momento ideal para as divinações, os rituais de cura e o corte de varinhas divinas e dos bastões. 

Todas as formas de magia (especialmente as do amor) são também extremamente potentes na véspera do Solstício do Verão, e acredita-se que aquilo que for sonhado nessa noite se tornará verdade para quem sonhar. Os alimentos pagãos tradicionais do Sabbat do Solstício do Verão são vegetais frescos, frutas do verão, pão de centeio integral, cerveja e hidromel.

29 de novembro de 2015

Beltane - Fogueira de Belenos


Hemisfério Sul: 31 de Outubro | Hemisfério Norte: 01 de Maio

Também conhecido como Dia da Cruz, Rudemas e Walpurgisnacht, o Sabbat Beltane é derivado do antigo Festival Druida do Fogo, que celebrava a união da Deusa ao seu consorte, o Deus, sendo também um festival de fertilidade. Na Religião Antiga, a palavra "fertilidade" significa o desejo de produzir mais nas fazendas e nos campos e não a atividade erótica por si só.

Beltane celebra também o retorno do sol (ou Deus Sol), e é um dos poucos festivais pagãos que sobreviveu da época pré-cristã até hoje e, em sua maior parte, na forma original. é baseado na Floralia, um antigo festival romano dedicado a Flora, a deusa sagrada das flores. Em tempos mais antigos, esse festival era dedicado a Plutão, o senhor romano do Submundo, correspondente do deus Hades da mitologia grega.

O primeiro dia de maio era também aquele em que os antigos romanos queimavam olíbano e selo-de-salomão e penduravam guirlandas de flores diante de seus altares em honra aos espíritos guardiães que olhavam e protegiam suas famílias e suas casas.

No dia de Beltane o sol está astrologicamente no signo de Tauros, o Touro, que marca a "morte" do Inverno, o "nascimento" da Primavera e o começo da estação do plantio. Beltane inicia-se, acendendo-se, segundo a tradição, as fogueiras de Beltane ao nascer da lua na véspera de 1o de Maio para iluminar o caminho para o Verão. Realiza-se o ritual do Sabbat em honra à Deusa e ao Deus, seguido da celebração da Natureza, que consiste de banquetes, antigos jogos pagãos, leitura de poesias e canto de canções sagradas.

São realizadas várias oferendas aos espíritos elementais, e os membros do Coven dançam de maneira muito alegre, no sentido destro giro, em torno do Mastro (símbolo fálico da fertilidade). Eles também entrelaçam várias fitas coloridas e brilhantes para simbolizar a união do masculino com o feminino e para celebrar o grande poder fertilizador do Deus. A alegria e o divertimento costumam estender-se até as primeiras horas da manhã, e, ao amanhecer do dia 1o, o orvalho da manhã é coletado das flores e da grama para ser usado em poções místicas de boa sorte.

Os alimentos pagãos tradicionais do Sabbat Beltane são frutas vermelhas (como cerejas e morangos), saladas de ervas, ponche de vinho rosado ou tinto e bolos redondos de aveia ou cevada, conhecidos como bolos de Beltane. Na época dos antigos druidas, os bolos de Beltane eram divididos em porções iguais, retirados em lotes e consumidos como parte do rito do Sabbat.

Antes da cerimônia, uma porção do bolo era escurecida com carvão, e o infeliz que a retirava era chamado de "bruxo de Beltane", e tornava-se a vítima sacrificial a ser atirada na fogueira ardente.

Nas Terras Altas da Escócia, os bolos de Beltane são usados para adivinhação, sendo atirados pedaços deles na fogueira como oferenda aos espíritos e deidades protetores.

25 de outubro de 2015

Ostara - Equinócio de Primavera


Hemisfério Sul: 21 de Setembro | Hemisfério Norte: 21 de Março

O Sabbat do Equinócio da Primavera, também conhecido como Sabbat do Equinócio Vernal, Festival das árvores, Alban Eilir, Ostara e Rito de Eostre, é o rito de fertilidade que celebra o nascimento da Primavera e o redespertar da vida na Terra. Nesse dia sagrado, os Bruxos acendem fogueiras novas ao nascer do sol, se rejubilam, tocam sinos e decoram ovos cozidos - um antigo costume pagão associado à Deusa da Fertilidade.

Pela primeira vez no ano o dia e a noite se fazem iguais. É portanto, uma data de equilíbrio e reflexão. Os dias escuros se vão, e a terra está pronta para ser plantada. É quando os Deus e Deusa se apaixonam, e deixam de ser mãe e filho. 

Nessa data, a semente da vida é semeada no ventre da Deusa, A Donzela revigorada e cheia de alegria. O Deus é devidamente armado para sair em sua viagem no mundo das trevas e reconquistá-lo, para que posteriormente a luz volte a reinar.

Os ovos, que obviamente são símbolos da fertilidade e da reprodução, eram usados nos antigos ritos da fertilidade. Pintados com vários símbolos mágicos, eram lançados ao fogo ou enterrados como oferendas à Deusa. Em certas partes do mundo pintavam-se os ovos do Equinócio da Primavera de amarelo ou dourado (cores solares sagradas), utilizando-os em rituais para honrar o Deus Sol.

Os aspectos da Deusa invocados nesse Sabbat são Eostre (a deusa saxônica da fertilidade) e Ostara (a deusa alemã da fertilidade). Em algumas tradições Wiccanas, as deidades da fertilidade adoradas nesse dia são a Deusa das Plantas e o Senhor das Matas.

Como a maioria dos antigos festivais pagãos, o Equinócio da Primavera foi cristianizado pela Igreja na Páscoa, que celebra a ressurreição de Jesus Cristo. A Páscoa (em inglês "Easter", nome derivado da deidade saxônica da fertilidade, Eostre) só recebeu oficialmente esse nome da Deusa após o fim da Idade Média.

Até hoje, o Domingo de Páscoa é determinado pelo antigo sistema do calendário lunar, que estabelece o dia santo no primeiro domingo após a primeira lua cheia, no ou após o Equinócio da Primavera. (Formalmente isso marca a fase da "gravidez" da Deusa Tríplice, atravessando a estação fértil.) A Páscoa, como quase todas as festividades religiosas cristãs, é enriquecida com inúmeras características, costumes e tradições pagãos, como os ovos de Páscoa e o coelho. 

Os ovos, como mencionado, eram símbolos antigos de fertilidade oferecidos à deusa dos Pagãos. A lebre era um símbolo de renascimento e ressurreição, sendo animal sagrado para várias deusas lunares, tanto na cultura oriental como na ocidental, incluindo a deusa Ostara, cujo animal era o coelho.

Os alimentos pagãos tradicionais do Sabbat do Equinócio da Primavera são os ovos cozidos, os bolos de mel, as primeiras frutas da estação em ponche de leite. Na Suécia, os "waffles" eram o prato tradicional da época.

4 de outubro de 2015

Imbolc - Festa do Fogo


Hemisfério Sul: 01 de Agosto | Hemisfério Norte: 02 de Fevereiro

O uso de denominações celtas para os festivais da colheita é uma forma bastante usada por todas as Bruxas, por uma questão de coerência com crenças gaélico-irlandesas. Também é conhecido como Candlemas, sob o qual foi cristianizado como a festa de purificação de Maria. O Imbolc (que quer dizer "em leite") diz respeito ao período de lactação das ovelhas. É o avivamento do ano, quando aparecem os primeiros estímulos fetais da primavera no útero da Mãe Terra. Embora ainda esteja frio, os pequenos e mais resistentes sinais de vida na Natureza começam a aparecer novamente. 

É época de abençoar as sementes e consagrar nossos instrumentos de trabalho. É um festival de fogo, mas a ênfase neste é mais sobre a luz do que sobre o calor; a centelha que penetra a escuridão do inverno. Acontece dia 1 de Agosto, marcando o ponto central da metade escura do ano. A Luz é o símbolo de luz da Deusa, e representa o aspecto triplo da donzela, mãe e anciã (encanto, maturidade e sabedoria). A luz da Lua é praticamente uma luz de inspiração, por isso esse Sabbat é tão associado à Deusa Brigid (Deusa celta da inspiração, dos dons e da fertilidade). 

O espírito é avivado, assim como o corpo e a terra. Esse Sabbat se originou na Irlanda antiga, com comemorações da Deusa Brigid, chamada de "noiva do Sol". O inverno ainda persiste, mas a luz está aumentando e as sementes despertando da terra fria e úmida. Imbolc é a celebração de todas essas "voltas". É o despertar dos novos planos e projetos, iniciação em caminhos espirituais ou em novas atividades, assim como purificação e renascimento material e espiritual. É tempo de despertar a criatividade e buscar  inspiração através da música, poesia, desenho, dança e artes em geral.

A Deusa está se recuperando do parto da criança divina, que nasceu no Solstício de Inverno, o Deus Sol, transformando-se em donzela jovem e cheia de vigor. Representa também os novos começos e o crescimento individual, sendo o afastamento do "antigo" simbolizado pela varredura do círculo com uma vassoura.

Devemos mentalizar que o Deus está conservando sempre viva dentro de nós a chama da saúde, da coragem, da ousadia e da juventude. O altar deve ser enfeitado com flores amarelas, alaranjadas ou vermelhas. A consagração deve ser feita pelos membros mais jovens do Coven. Literalmente quer dizer dentro do útero. O inverno ainda não foi embora, mas por baixo da neve a vida floresce e ganha força. 

As coisas não acontecem diante de nossos olhos, mas já estão lá, lentamente, pulsando, esperando o momento certo para vir à tona. A Deusa vagarosamente recupera-se do parto, e acorda sob a energia revigorante do Sol. Esse é o também chamado Festival das Luzes, em que se acendem velas por toda a casa, mais especialmente nas janelas, para anunciar a vinda do Sol e mostrar ao menino Deus seu caminho. 

27 de setembro de 2015

Yule - Solstício de Inverno


Hemisfério Sul: 20 de Junho | Hemisfério Norte: 20 de Dezembro

Também conhecido como Ritual de Inverno e Alban Arthan, o Solstício de Inverno é a noite mais longa do ano, marcando a época em que os dias começam a crescer e as horas de escuridão a diminuir. É o festival de renascimento do Sol e o tempo de glorificar o Deus (o aspecto do Deus invocado nesse Sabbat por certas tradições Wiccanas é Frey,  Deus escandinavo da fertilidade, deidade associada à paz e à prosperidade). São também celebrados o amor, a união da família e as realizações do ano que passou.

Nesse Sabbat, os Bruxos dão adeus à Grande Mãe e bendizem o Deus renascido que governa a metade escura do ano. Nos tempos antigos, o Solstício de Inverno correspondia à Saturnália romana, a ritos de fertilidades pagãos e a vários ritos de adoração ao Sol. Os costumes modernos que estão associados ao dia cristão do natal, como a decoração da árvore, o ato de pendurar o visco e o azevinho, são belos costumes pagãos que datam da era pré-cristã.

A queima da acha de Natal originou-se do antigo costume da fogueira de Natal que era acesa para dar vida e poder ao sol, que, pensava-se, renascia no Solstício do Inverno. Tempos mais tarde, o costume da fogueira ao ar livre foi substituído pela queima dentro de casa de uma acha e por longas velas vermelhas gravadas com esculturas de motivos solares e outros símbolos mágicos. Como o carvalho era considerado a árvore Cósmica da Vida pelos antigos druidas, a acha de Natal é tradicionalmente de carvalho. Algumas tradições Wiccanas usam a acha de pinheiro para simbolizar os deuses agonizantes Attis, Dionísio ou Woden. Antigamente as cinzas da acha de Natal eram misturadas à ração das vacas, para auxiliar numa reprodução simbólica, e eram espargidas sobre os campos para assegurar uma nova vida e uma Primavera fértil.

Pendurar visco sobre a porta é uma das tradições favoritas do Natal, repleta de simbolismo pagão, e outro exemplo de como o Cristianismo moderno adaptou vários dos costumes antigos da Religião Antiga dos pagãos. O visco era considerado extremamente mágico pelos druidas, que o chamavam de "árvore Dourada". Eles acreditavam que ela possuía grandes poderes curadores e concedia aos mortais o acesso ao Submundo. Houve um tempo em que se pensava que a planta viva, que é na verdade um arbusto parasita com folhas coriáceas sempre verdes e frutos brancos revestidos de cera, era a genitália do grande deus Zeus, cuja árvore sagrada é o carvalho. O significado fálico do visco originou-se da idéia de que seus frutos brancos eram gotas do sêmen divino do Deus em contraste com os frutos vermelhos do azevinho, iguais ao sangue menstrual sagrado da Deusa. A essência doadora de vida que o visco sugere fornece uma substância divina simbólica e um sentido de imortalidade para aqueles que o seguram na época do Natal. Nos tempos antigos, as orgias de êxtase sexual acompanhavam freqüentemente os ritos do deus-carvalho; hoje, contudo, o costume de beijar sob o visco é tudo o que restou desse rito.

A tradição relativamente moderna de decorar árvores de Natal é costume que se desenvolveu dos bosques de pinheiro associados à Grande Deusa Mãe. As luzes e os enfeites pendurados na árvore como decoração são, na verdade, símbolos do sol, da lua e das estrelas, como aparecem na árvore Cósmica da Vida. Representam também as almas que já partiram e que são lembradas no final do ano. Os presentes sagrados (que evoluíram para os atuais presentes de Natal) eram também pendurados na árvore como oferendas a várias deidades, como Attis e Dionísio.

Outro exemplo das raízes pagãs das festas de Natal está na moderna personificação do espírito do Natal, conhecido como Santa Claus (o Papai Noel) que foi, em determinada época, o deus pagão do Natal. Para os escandinavos, ele já foi conhecido como o "Cristo na Roda", um antigo título nórdico para o Deus Sol, que renascia na época do Solstício de Inverno.

Colocar bolos nos galhos das macieiras mais velhas do pomar e derramar sidra como uma libação consistiam num antigo costume pagão da época do Natal praticado na Inglaterra e conhecido como "beber à saúde das árvores do pomar". Diz-se que a cidra era um substituto do sangue humano ou animal oferecido nos tempos primitivos como parte de um rito de fertilidade do Solstício do Inverno. Após oferecer um brinde à mais saudável das macieiras e agradecer a ela por produzir frutos, os fazendeiros ordenavam às árvores que continuassem a produzir abundantemente.

Os alimentos pagãos tradicionais do Sabbat do Solstício do Inverno são o peru assado, nozes, bolos de fruta, bolos redondos de alcaravia, gemada e vinho quente com especiarias.

Esse dia marca a morte e o renascimento do Deus Sol, marca também a derrota do Rei Azevinho, Deus do Ano Minguante, pelo Rei Carvalho, Deus do Ano Crescente. A Deusa, que era a morte em vida no Solstício de Verão, exibe agora seu aspecto de vida em morte, pois ela é a Rainha da Escuridão nesse Sabbat, mas também é a mãe que dá a luz à criança promessa, que irá fertilizá-la mais tarde e trazer de volta a luz e o calor ao seu reino.

20 de setembro de 2015

Samhain - Final do Verão (Ano Novo)


Hemisfério Sul: 1 de Maio | Hemisfério Norte: 31 de Outubro

O Samhain (pronuncia-se "souen"), também chamado de Halloween, Hallowmas, Véspera de Todos os Sagrados, Véspera de Todos os Santos e Festival dos Mortos, é o mais importante dos oito Sabbats dos Bruxos. Como Halloween, é um dos mais conhecidos de todos os Sabbats fora da comunidade wiccana e o mais mal-interpretado e temido.

Samhain celebra o final do Verão, governado pela Deusa, significando "Final do Verão". É o mais importante de todos os Festivais, pois, dentro do círculo, marca tanto o fim quanto o início de um novo ano. Nessa noite, o véu entre o nosso mundo e o mundo dos mortos se torna mais tênue, sendo o tempo ideal para nos comunicarmos com os que já partiram.

Essa palavra significa "Sem Luz", pois, nessa noite, o Deus morreu e mundo mergulha na escuridão. A Deusa vai ao Mundo das Sombras em busca do seu amado, que está esperando para nascer. Eles se amam, e, desse amor, a semente da luz espera no Útero da Mãe, para renascer no próximo Solstício de Inverno como a Criança da Promessa. A Roda continua a girar para sempre. Assim, não há motivo para tristezas, pois aqueles que perdemos nessa vida irão renascer, e, um dia, nos encontraremos novamente, nessa jornada infinita de evolução. 

É também o início da estação da cidra, um rito solene e o festival dos mortos. É o momento em que os espíritos dos seres amados e dos amigos já falecidos devem ser honrados. Houve uma época na história em que muitos acreditavam que era a noite em que os mortos retornavam para passear entre os vivos. O sentido do Halloween é nos sintonizarmos com os que já partiram para lhes enviar mensagens de amor e harmonia. 

A noite do Samhain é uma noite de alegria e festa, pois marca o início de um novo período em nossas vidas, sendo comemorado com muito ponche, bolos e doces. A cor do sabá é o negro, sendo o Altar adornado com maçã, o símbolo da Vida Eterna. O vinho é substituído pela sidra ou pelo suco de maçã. Deve-se fazer muita brincadeiras com dança e música. Os nomes das pessoas que já se foram são queimados no Caldeirão, mas nunca com uma conotação de tristeza.

É quando o Deus Cornífero se sacrifica para se tornar a semente do próprio renascimento em Yule . É quando os pastores recolhem o gado e o povo recolhe-se em casa, fugindo da época mais escura do inverno. A data marca o fim do calendário Celta. A noite de Samhain se encontra no meio exato entre o ano que se vai e o que vem pela frente, e é portanto uma data atemporal.

A versão cristã do Samhain é o Dia de Todos os Santos, que foi introduzido pelo Papa Bonifácio IV, no século VII, para substituir o festival pagão. O Dia dos Mortos é outra adaptação cristã ao antigo Festival dos Mortos. É observado pela Igreja Católica Romana como um dia sagrado de preces pelas almas do purgatório.

Em várias regiões da Inglaterra acredita-se que os fantasmas de todas as pessoas destinadas a morrer naquele ano podem ser vistos andando entre as sepulturas à meia-noite de Samhain. Pensava-se que alguns fantasmas tinham natureza má e, para proteção, faziam-se lanternas de abóboras com faces horrendas e iluminadas, que eram carregadas como lanternas para afastar os espíritos malévolos. Na Escócia, as tradicionais lanternas Hallows eram esculpidas em nabos.

Um antigo costume de Samhain na Bélgica era o preparo de "Bolos para os Mortos" especiais (bolos ou bolinhos brancos e pequenos). Comia-se um bolo para cada espírito de acordo com a crença de que quanto mais bolos alguém comesse, mais os mortos o abençoariam.

Outro antigo costume de Samhain era acender um fogo no forno de casa, que deveria queimar continuamente até o primeiro dia da Primavera seguinte. Eram também acesas, ao pôr-do-sol, grandes fogueiras no cume dos morros em honra aos antigos Deuses e Deusas, e para guiar as almas dos mortos aos seus parentes.

Era no Samhain que os Druidas marcavam o seu gado e acasalavam as ovelhas para a Primavera seguinte. Diz-se que acender uma vela de cor laranja à meia-noite no Samhain e deixá-la queimar até o nascer do sol traz boa sorte; entretanto, de acordo com uma lenda antiga, a má sorte cairá sobre todo aquele que fizer pão nesse dia ou viajar após o pôr-do-sol.

As artes divinatórias, como a observação de bola de cristal e o jogo de runas, na noite mágica de Samhain, são tradições wiccanas, assim como ficar diante de um espelho e fazer um pedido secreto.

Os alimentos pagãos tradicionais do Sabbat Samhain são maçãs, tortas de abóbora, avelãs, Bolos para os Mortos, milho, sonhos e bolos de amoras silvestres, cerveja, sidra e chás de ervas.

13 de setembro de 2015

A Transição do Roda do Ano


Em Samhain, O Festival do Retorno da Morte, os portões dos mundos se abrem e a Deusa transforma-se na Velha Sábia, a Senhora do Caldeirão, e o Deus é o Rei da Morte que guia as almas perdidas através dos dias escuros do inverno.

Em Yule, a escuridão reina como se estivéssemos no Caldeirão da Deusa. Assim, o Rei das Sombras transforma-se na Criança da Promessa, o Filho do Sol, que deverá nascer para restaurar a natureza.

Em Imbolc, a luz cresce, o Deus nascido em Yule se manifesta com todo o seu vigor e a Criança da Promessa cresce com vitalidade e é festejada, pois os dias tornam-se visivelmente mais longos e renova-se a esperança. 

Em Ostara, luz e sombra são equilibradas. A luz da vida se eleva e o Deus quebra as correntes do inverno. A Deusa é a virgem e o Deus renascido é jovem e vigoroso. O amor sagrado do Deus e da Deusa é a promessa do renascimento e da fertilidade.

Em Beltane, a Deusa se transforma em uma linda mulher e assim Eles se unem e a sua paixão sustenta o mundo.

Chega Litha, a Deusa é a Rainha do Verão e o Deus um homem de extrema força e virilidade. O Sol começa a minguar e o Deus começa a seguir rumo ao País de Verão. A Deusa é pura satisfação e monstra isso através das folhas verdes e das lindas flores do verão.

Em Lammas, a Deusa dá a luz e o Deus novamente morre para que a vida possa progredir e crescer. O Deus se sacrifica para que a humanidade seja nutrida, mas através dos grãos Ele renasce. 

Em Mabon, as luzes e as trevas se equilibram novamente, porém o Sol começa a minguar mais rapidamente. O Deus torna-se, então, o Ancião, o Senhor das Sombras. Chega novamente Samhain e o ciclo recomeça, assim tudo retorna à Deusa.

A Roda do Ano


Os bruxos acreditam que tudo na vida é cíclico. O mito a Roda do Ano foi a forma encontrada para sacralizar os ritos da natureza. Assim, dentro da Roda do Ano observamos as mudanças de estações, festivais de colheita e as mudanças da Lua, todos os ciclos que se complementam e nos sugerem um aprofundamento interior. Os festivais da colheita são festivais essencialmente célticos, apesar de existirem práticas italianas relacionadas. Como os povos pagãos eram extremamente ligados a terra e dependiam da colheita para sobreviver, tudo era celebrado com muita festa e reverência. Esses festivais evoluíram a partir de várias tradições, são sazonais e refletem o ciclo progressivo tanto das sociedades agrárias quanto das sociedades caçadoras. Representam o ciclo anual da Deusa como Donzela, Mãe e Anciã, e o nascimento, casamento, maturação e morte do Deus. A Lua representa quatro fases e as bruxas estão sempre ligadas a tais mudanças. Como a Luz esteve sempre ligada à menstruação, é natural que as mulheres desenvolvam uma conexão mais natural com o satélite. A Luz está intimamente ligada à Grande Mãe e suas faces.

A Roda do Ano é uma sacralização do real, do que realmente acontece na natureza, mas também é cheia de simbolismos. Esses simbolismos vêm da observação daqueles que, durante os séculos, escreveram seus livros sagrados e rituais. Tudo que é dito no mito da Roda do Ano é um reflexo do que acontece na natureza, tanto em humanos quanto em animais ou plantas. É a famosa frase "tanto em cima, como embaixo". Ou seja, o que acontece no reino dos Deuses, acontece conosco."

Assim, a Deusa e o Deus se unirem em Beltane significa toda fertilidade da terra naquele momento. Algumas Tradições pagãs realizam em Beltane o ritual de união de casais, onde fazem seus votos por um ano e um dia e em Beltane próximo decidem se querem renovar esses votos ou se separar. Em Beltane, a natureza transborda vida. No Solstício de Verão (Litha) é o auge do Deus Sol. Trata-se do dia mais longo do ano e, a partir dali, bem lentamente os dias começam a ficar mais curtos. Muitas pessoas não costumam reparar nisso, mas a partir do momento que você passa a observar, vê como isso é visível a todos. Não só o Sol começa a enfraquecer, mas todos nós vamos ficando mais introspectivos a medida que o inverno vai se aproximando. 

Na colheita dos grãos de Lammas você começa a ver como a decadência do Sol fica mais evidente. Ele está se despedindo, se sacrificando pelos grãos que nasceram. O verão está nitidamente acabando, podemos sentir isso no alaranjado do céu, na sensação de "fim de férias" e a volta dos afazeres tradicionais. O outono chega e você percebe que o inverno vai chegar também. Mais um ano se passou e estamos com aquela sensação de introspecção, vontade de ficarmos contemplativos e reflexivos. O inverno está vindo e o que fizemos de novo? O que podemos realizar de novo no ano que virá? Os dias estão cada vez mais escuros e a reflexão interior nos faz lembrar do que passou... 

Lembramos não só do que fizemos no último ano, mas em toda nossa vida. Lembramos de quando éramos crianças,  de nossos pais, nossos familiares que já se foram... Samhain. A escuridão prevalece e o véu entre os mundos está fino, propício para honrarmos nossos parentes que já se foram. Não é momento de ficar triste, mas de fazer festa para que nossos amigos que já morreram vejam como estamos felizes por eles. Quem disse que a pessoa quando morre fica triste? Triste ela ficaria de ver triste aqueles que amam, então alegrem-se! Este é o momento de dizer o quanto a vida é boa, apesar dos problemas comuns e como sentimos falta de nossos antepassados. No Solstício de Inverno (Yule), a noite mais longa do ano, percebemos o quão conectados com a Deus e seu filho que nasce. A terra está pura, no início dos tempos novamente. Novas esperanças renascem, projetos emergem das cinzas. A escuridão nos remete ao renascimento de todas as coisas, inclusive de nossas prórpias atitudes e sentimentos. 

Da mesma forma que a Lua Negra se torna Crescente, a Deusa Anciã da escuridão se torna a Deusa Jovem em Imbolc; a donzela dos novos ventos e esperanças. Os dias vão ficando mais longos e a primavera está chegando... O inverno já passou. Cada vez mais o frio vai dizendo adeus e dando início e lugar ao Sol que volta forte, como no início, crescendo e amadurecendo até chegar novamente em Beltane, onde a terra estará fértil novamente. E assim é a Roda, assim é nossa vida.

20 de agosto de 2015

Druidismo

A visão tradicional mostra os Druidas como sacerdotes, mas isso na verdade não é comprovado pelos textos clássicos, que os apresentam na qualidade de filósofos. Se levarmos em consideração que o Druidismo era uma religião natural, da terra, e não uma religião revelada, os Druidas assumem então o papel de diretores espirituais do ritual, conduzindo a realização dos ritos e não de mediadores entre os Deuses e o homem. Ao contrário da ideia corrente no mundo pós Iluminismo sobre a linearidade da vida, no Druidismo, como outras culturas espirituais da antiguidade, a vida é um círculo ou uma espiral.

O Druidismo procurava buscar o equilíbrio, ligando a vida pessoal a fonte espiritual presente na Natureza, e dessa forma reconhecia oito períodos ao longo do ano, sendo quatro solares (masculino) e quatro lunares (feminino), marcados por cerimônias religiosas especiais. A sabedoria Druídica era composta de um vasto número de versos aprendidos de cor e conta-se que que eram necessários cerca de 20 anos para que se completasse o ciclo de estudos dos aspirantes a Druidas. Pode ter havido um centro de ensino Druídico na Ilha de Anglesey, mas nada se sabe sobre o que era ensinado ali. De sua literatura oral (cânticos sagrados, fórmulas mágicas e encantamentos) nada restou, sequer em tradução. Mesmo as lendas consideradas Druídicas chegaram até nós através do prisma das interpretações cristãs, o que torna difícil determinar o sentido original das mesmas. As Tradições que ainda existem do que poderia ter sido suas práticas religiosas foram conservadas no meio rural e incluem a observância do "Halloween", rituais de colheita, plantas e animais que trazem boa ou má sorte e coisas do gênero.
Uma ordem de sacerdotes filósofos de ambos os sexos da sociedade celta pré-cristã na Europa Continental, na Grã Bretanha e na Irlanda; geralmente tidos como equivalentes aos flâmens romanos e aos brâmanes da Índia. De acordo com os autores clássicos, os Druidas da Gália e provavelmente em outras áreas exerciam autoridade sobre os cultos divinos, oficiavam sacrifícios, exercendo autoridade suprema em questões legais e jurídicas, além de serem responsáveis pela educação dos jovens da elite e dos aspirantes à sua ordem. Eles consumiam bolotas de carvalho para se tornarem aptos a artes divinatórias. Os Druidas não pagavam taxas e deles não se exigia que tomassem parte em batalhas. Em assembleias, os discursos tinham precedência até aos dos reis e chefes.

Os ensinamentos e conhecimentos sagrados eram transmitidos oralmente e os pupilos deviam memorizar um grande número de versos, dedicando-se a até 20 anos de estudos. Muitos ensinamentos assumiam a forma de enigmas.

Os Druidas certamente possuíam uma versão da metempsicose segundo a qual a alma humana renascia em diferentes formas. Escritores clássicos viam nisso um paralelo com os ensinamentos de Pitágoras. Como curadeiros, são especialmente associados ao visco e a sua colheita ritual.

A perseguição romana levou a ordem Druídica ao declínio, especialmente após o massacre de Anglesey, que fez com que os Druidas desaparecessem da Bretanha e de Gales. Os Druidas sobreviveram na Irlanda até a chegada do cristianismo, e na Escócia, onde o manto mágico dos Druidas passou aos santos do cristianismo celta. Outros aspectos foram herdados pelos filid, que se ajustaram à nova religião.

Os escritores clássicos nos fornecem uma substanciosa quantidade de informações sobre os druidas, mas nem sempre são consistentes ou apoiadas por textos literários irlandeses ou galeses. Júlio Cesar descreve os druidas como uma única classe letrada, enquanto que seus quase contemporâneos Estrabão e Diodoro Sículus identificam três ordens de sábios: 1. os druidae, filósofos e teólogos; 2. os vates ou mantis, adivinhos e videntes; 3. os bardi, poetas. Apesar dos tênues elos que ligam as sociedades celtas da Gália e da Irlanda, os textos irlandeses mais antigos apontam para uma divisão similar: 1. druídh; 2. filidh, videntes e adivinhos; 3. baird, poetas. Por volta do séc. VII, a fusão com o cristianismo permitiu que os filidh assumissem diversas funções e privilégios dos druidas, os quais vinham desaparecendo do cenário. Os Druidas proibiam a construção de templos aos Deuses ou mesmo a cultuá-los entre paredes ou sob um teto.

O Druidismo é uma espiritualidade profundamente arraigada na terra, mas que se renova a cada novo amanhecer. É uma Tradição que honra nossa terra, os mundos interno e externo, os espíritos da Terra, das Águas e dos Céus, os espíritos de nossos ancestrais; é uma filosofia que possui em sua essência a exploração da relação sagrada, de espírito para espírito.
São três os deveres de um Druida:
  1. Curar a si mesmo.
  2. Curar a comunidade.
  3. Curar a Terra.
Os pilares do Druidismo:
  • Tempo Sagrado/Espaço Sagrado: Nemeton/Roda do Ano

  • Inspiração:
Awen: espírito que flui.
Interconexão: de alma para alma.

O Druidismo não é somente uma Tradição mágica, mas sim uma busca pela pureza da quintessência da vida. Pode-se passar eras e eras ponderando sobre teorias e crenças; pode-se crer ter encontrado alguma verdade superior, o que nos leva a derrapar no desejo de salvação e de poder. Porém, é na experiência da conexão, de espírito para espírito, que podemos saborear a verdadeira inspiração, o verdadeiro leite da Mãe Natureza, o toque dos Deuses.
- Emma Restall Orr
  • Ancestralidade:
Herdamos tudo o que temos e somos de nossos ancestrais. Eles viveram antes de nós e permanecem como mananciais da sabedoria e do conhecimento de nossa Tradição. Praticamente todos os povos do mundo honram e reverenciam seus ancestrais de alguma forma. Contudo, na sociedade ocidental — a mais afastada de suas raízes animistas e xamânicas — a veneração dos ancestrais tem pouca importância em nossa vida diária: essa distorção acaba se manifestando num total desrespeito pelos mais velhos de nossa sociedade, cuja idade e sabedoria são vistas como negativas visões deturpadas.
- Caitlin & John Matthews

  • Honra: 
Os verbos honrar e orgulhar(-se) possuem significados bastante diferentes. Se, por um lado orgulhar-se é, como a própria gramática o nomeia, um verbo "reflexivo", ou seja, uma ação que volta ao indivíduo, por outro lado honrar precisa de um objeto. Quem honra, honra algo. Honrar, portanto, é estabelecer uma relação, uma conexão.

Existe uma percepção equivocada de que honra e moral são sinônimos — não são. A palavra moral traz em seu bojo conotações como certo e errado, bom e mau, bem e mal. Esses conceitos dualistas simplesmente inexistem no Druidismo. Não existe, na Natureza, bem ou mal. Da mesma forma, por ser uma espiritualidade pagã (portanto centrada na Natureza), o Druidismo não reconhece esses princípios. E, ao não reconhecê-los, inviabiliza a redação — seja ela ditada pelos Deuses, recebida por um profeta iluminado ou canalizada por um espírito — de códigos de conduta, de leis, de mandamentos. Como, então, viver uma vida equilibrada sem manuais de instrução? A resposta mais objetiva é: vivendo a vida; inspirando-se nela e por ela; honrando-a. Afinal, a vida não é um aparelho previsível, lógico, mecânico para ter um manual de instruções. Ela é viva, e por assim ser, não existem regras para todos os momentos.

Com equilíbrio, aliando o conhecimento à inspiração, a razão à emoção, o druidismo ensina cada um de nós a descobrir o seu caminho. Esse é um caminho de honra.

  • Transformação:
No Druidismo a mudança é sagrada. Ela é tão integral à nossa Tradução quanto aos ciclos da Natureza, às fases da lua, às marés, às estações do ano...
(...)
Assim como no ciclo do ano no clima temperado das ilhas britânicas e move do verão para o inverno — do crescimento para a decadência — também no Druidismo a escuridão é tão sagrada quanto a luz, a noite é tão vital quanto o dia. Nossos rituais podem ser celebrados nos campos banhados de sol diante de centenas de pessoas, ou ainda na escuridão de uma floresta, na reclusão da noite. A escuridão é vista como o ventre do potencial: é o solo escuro da terra que nos alimenta e no qual se enraízam as árvores. No Druidismo não existe o conceito de bem ou mal: o que existe é a compreensão de que o apodrecimento é necessário para preparar o crescimento e que na escuridão encontramos o medo do desconhecido, mas também a liberdade.
- Emma Restall Orr
Texto por Claudio Quintino Crow.

9 de agosto de 2015

Bruxaria Tradicional Ibérica

Uma bruxaria onde participam pessoas que habitam a região que compreende a Península Ibérica, principalmente Portugal e Espanha. Seus ancestrais adoravam os seus Deuses com cultos diferenciados entre tribos e regiões. Eles amavam e respeitavam os lugares e espíritos da natureza, colhiam e caçavam com bravura e respeito. No passado, a Península Ibérica foi palco de várias influências de vários povos, entre eles os fenícios, cartagineses, suevos, visigodos e celtas. As divindades nunca se mesclaram facilmente com as dos povos invasores. A adoração e o ritual dos Deuses tem a ver co ma Arte Antiga, hoje chamada por uns de "tradicionalista" e claro, muito anterior à Wicca que vemos de Gardner e outros decorrentes. Além disso, é sabido o quanto Gerald Gardner percorreu por várias vezes a Espanha em busca do culto dos Antigos e nunca encontrou realmente o que buscava, pois os grupos de bruxos, conhecidos por Aquelarres e Coevas são fechados e o que se fala para o exterior é cauteloso, de acordo com as leis Wiccanas.

O espírito religioso dos romanos baseava-se na importância dos Deuses de várias regiões conquistadas. Todos os Deuses gregos foram importados, dando origem aos Deuses romanos de poder, influência e semântica similares. Os romanos também querendo absorver os poderes das tribos conquistadas, apropriavam-se dos nomes dos Deuses locais e os aplicavam conforme as conveniências em sua cultura, sem contudo nestes Deuses romanos recém criados existir o verdadeiro sentido mágico religioso. Assim aconteceu com a Deusa Atégina, que após a romanização virou Proserpina, nome deveras conhecido na mitologia romana, mas muito antes de Roma ser criada, os povos locais já conheciam a lenda da descida da Deusa Atégina aos mundos inferiores. 

Podemos notar também pela história que, cinco séculos antes de Roma, já haviam chegado à Europa a cultura dos gregos e dos fenícios, e depois dos cartagineses, que não forçaram os habitantes ibéricos com suas religiões, entretanto foram bastante influentes na passagem de segredos e mistérios aos Sábios tribais dos Santuários primitivos já existentes na Península Ibérica. A tradição dos ibéricos tem uma ancestralidade reconhecida em um vasto panteão autônomo, quase livre de influências exteriores, e nos variadíssimos vestígios históricos, que cada vez mais surgirão à luz dos homens. Não poderíamos ficar alheios também da importância tradizas pelas culturas fenícia, cretense e grega, e cuja cultura resplandescente causou assombro e respeito aos povos nativos ibéricos do litoral português com os cultos de Baal Merkat e Tanith de Cartago, cultuada no seu local em Nazaré. O panteão ibérico é rico e tribal. Os Deuses que compõe esse panteão existem nas antigas regiões da Bética, Lusitânia e da Galécia, e entre outras divindades, cultua-se Endovélico - O Curador, Atégina - A Deusa Mãe, Trebaruna - A Guerreira e Protetora, Boncôncios - O Guerreiro, Tongoenabiagus - O Fertilizador, Tanira - Deusa das Artes, Nabica - A Ninfa das Florestas, Aernus - O Senhor dos Ventos do Norte, Brigantés - A Deusa Guerreira.

Os feiticeiros ibéricos não seguem os atuais calendários usados na Wicca, mas sim os calendários vivos que a própria tradição os ditou através do tempo. Na Bruxaria Ibérica há três celebrações básicas: o nascimento, o apogeu e o Rito aos Idos, onde visitam o Rio do Esquecimento, para cultuar seus antepassados. O culto é dirigido a uma só Deusa ou Deus e cada Divindade é adorada individualmente, salvo algumas exceções, não se aplicando a ritualística de Deusa e seu Consorte, tão difundida pela Wicca, e não existe o conceito de Deuses infernais, nem duos ou trindades de Deuses.

Tradição Diânica

A Tradição Diânica é uma vertente da Wicca onde a Deusa é cultuada com exclusividade ou predominância. Geralmente são grupos extremamente feministas, não permitindo homens e restringindo de alguma forma sua participação enquanto Sacerdotes. Cabe notar que existem Tradições Diânicas que, apesar de privilegiarem o culto da Deusa, não incluem em seus ditames atuações políticas feministas ou a exclusão do masculino. Essas Tradições consideram que ser diânico é um modo de compreender o equilíbrio da Divindade, não sendo de nenhuma maneira um incentivo ao desequilíbrio das polaridades, muito menos a uma guerra entre os gêneros.

Algumas bruxas diânicas só enfocam seu culto na Deusa, são politicamente ativas e feministas. Outras simplesmente enfocam seu culto na Deusa como uma forma de compensar os muitos anos de domínio patriarcal na Terra. Algumas usam esse título para denotar que são as "filhas de Diana", a Deusa protetora delas.

Uma filial fundada no Texas, que dá supremacia à Deusa em sua teologia, mas honra o Deus Cornífero como seu Consorte amado e abençoado.Os membros dos Covens dividem-se entre homens e mulheres. Essa filial é chamada de "Old Dianic" e há alguns Covens descendentes dessa Tradição, especialmente no Texas, onde foi criada. Outros Covens com teologia similares, mas que não descendem diretamente da linha de McFarland (fundador da filial), e que estão espalhados por todo os Estados Unidos.

A outra filial, chamada às vezes de Feitiçaria Feminista Diânica, foca exclusivamente na Deusa e somente mulheres participam de seus Covens e grupos. Geralmente seus rituais são livres e não são hierárquicos, usando a criatividade e o consenso para a realização deles. São politicamente um grupo de feministas.

7 de agosto de 2015

George Patterson e a Tradição Georgina

Se há uma palavra que melhor define a Tradição Georgina, é "eclética." A Tradição Georgina é um composto de rituais Celtas, Alexandrinos, Gardnerianos e Tradicionais, mesmo que a maior parte do material fornecido aos estudantes seja Alexandrino, nunca houve uma imperativa para seguir cegamente seu conteúdo. Essa Tradição foi criada por George Patterson, que se auto intitulou como sendo um Sumo Sacerdote Georgino.

Os boletins de notícias publicados pelo fundador da Tradição estavam cheios de contribuições dos povos de muitas outras Tradições, parece que a intenção de Patterson era fornecer uma visão abrangente aos seus discípulos. A Tradição foi fundada em 1970/1971, em Bakerfield, Califórnia e também era conhecida como a "Igreja Georgina." Apesar de a Tradição ser baseada em ensinamentos tradicionais, seus membros eram incentivados a pensar e criar seus próprios rituais, a fim de tornar viva essa Tradição. Alguns Covens realizavam seus trabalhos vestidos de céus, outros não. Era, nesse ponto, bem mais libertária que suas bases tradicionais. A Tradição Gerogina é, então, bastante similar às Tradições Gardneriana e Alexandrina, em que uma iniciação é necessária para se fazer parte da Tradição. Muitos de seus rituais são semelhantes  aos que aparecem em livros como "Oito Sabbats para Bruxas." George Patterson dizia ter sido inciado em um Coven inglês de raiz céltica, mas sua iniciação jamais pôde ser comprovada.

Seu lema era "se funciona, use; se não funciona, não use", a que significa que qualquer elemento mágico poderia ser usado e adicionado à Tradição e às práticas pessoais, se você tivesse uma boa razão para aquilo. Durante muito tempo, George lançou um informativo que rodava os Estados Unidos, falando exclusivamente sobre a Wicca do ponto de vista de sua Tradição. Depois de sua morte, o jornalzinho continuou sendo veiculado com uma periodicidade menor, até que finalmente deixou de existir. Ele escreveu em um informativo, datado de 1972:

Alguns de nossos rituais são exatamente como nós os recebemos. Mas a maioria é um composto do Tradicional, Céltico, Alexandrino e Gardneriano. Nós pegamos o que acreditamos ser o melhor deles e combinamos em nossos rituais. Nós encontramos felicidade e inspiração em nossos rituais e nosso trabalho para a Deusa e esperamos que todos os praticantes da Arte possam viver em perfeito amor e perfeita confiança.
Hoje em dia, os Georginos não são em grande quantidade. A maioria realmente continua nos Estados Unidos, concentrados em estados como a Califórnia, Florida e Colorado. Há um forte desejo de seus membros propagar a Tradição ao redor do mundo, trabalho que parece estar sendo feito aos poucos.

5 de agosto de 2015

Wicca e as Raízes Celtas

A cultura celta foi uma das mais importantes culturas que predominaram na Europa milhares de anos antes da ascensão e conquista de Roma. Os celtas surgiram na Europa Central em meados do II milênio a.C. e provavelmente se originaram dos povos indo-europeus do continente Asiático, na época do Bronze Tardio e espalharam-se por todo continente europeu a partir da Idade do Ferro.

Os primeiros relatos da existência dos Celtas na Inglaterra e Península Ibérica datam de 1000a. C. Começaram a ocupar as margens do rio Danúbio e Sul da Alemanha a partir de 600 a. C. O avanço das artes e da cultura céltica aconteceu na Suíça às margens do lago Neuchâtel e em La Tène. A partir daí entre os séculos III e V a. C espalharam-se por toda Europa chegando à Turquia e Ásia Menor. Pesquisadores afirmam que os Celtas permaneceram na Irlanda até a época de Cromwell, mais ou menos no século XVII.

Apesar de terem se espalhado por longas distâncias e países diferentes, a cultura celta jamais se fragmentou, pois haviam forças maiores que os unia: a língua, a arte e a religião.

A Religião dos celtas era o Druidismo, uma das religiões mais antigas do mundo. Na organização da sociedade celta, os Druidas exerciam um papel fundamental e de maior importância, já que eram os ministros da religiosidade, guardiões das tradições, cultura e da teologia. O Druidismo eram uma religião politeísta e seus ritos sempre eram realizados ao ar livre, pois os Deuses jamais poderiam ser reverenciados em templos feitos pelas mãos humanas e assim a natureza era reverenciada como a única forma de atingir a essência das divindades.

A raiz filosófica-espiritual dos Celtas era baseada na reverência à duas Grande Divindades: a Grande Deusa Mãe e o Deus Cornífero, chamados de Ceridwen e Cernunos.

Essas duas Grande Divindades garantiam a prosperidade da descendência, da agricultura, do gado e o sucesso na guerra. O calendário céltico tinha uma estreita relação com a agricultura e os ciclos sazonais da natureza. O Druidismo ou a religião céltica pode ser exprimida como o culto à Grande Deusa Mãe, a própria natureza, em todas as suas manifestações.

Os Druidas ensinavam sobre a arte da agricultura, da cura com ervas, da caça entre outras coisas. Realizavam as festas ritualísticas em homenagem as Divindades, além de iniciarem as pessoas nos preceitos da arte da Magia.

A iniciação nos mistérios druídicos durava em média 20 anos e os ensinamentos eram transmitidos oralmente, pois temiam que a palavra escrita pudesse se tornar veículo de Magia incontrolável. Eram versados na adivinhação, onde utilizavam bastões oculares chamados de coelbren para predizer o futuro.

A classe sacerdotal era dividida entre homens e mulheres, mais a sociedade era extremamente matriarcal. Originariamente o sacerdócio era totalmente feminino. As Druidesas eram divididas em 3 classes: a primeira vivia enclausurada para alimentar o constante fogo da Deusa Brigit. As outras 2 classes se casavam e eram as principais participantes nos rituais sagrados.

A raiz filosófica-espiritual dos celtas era baseada na reverência à Grande Deusa Mãe e ao Deus Cornífero. Os pagãos diziam que o Universo foi criado à partir do corpo e da mente da Grande Deusa. Ela é o princípio que simboliza a fecundação e a criação, Mãe de todos os Deuses. Seu filho e consorte, o Deus Cornífero, representa a fertilização.

No final da Idade de Bronze, que data de 5000 a.C. à 2000 a.C., encontramos muitos indícios de culto à Deusa Mãe. Pesquisas arqueológicas trouxeram à tona diversas obras de arte, da mais antigas, que são representações humanas do arquétipo da mãe. Estas descobertas se estendem por toda Europa, África, Escandinávia e diversas outras localidades.

Estatuetas femininas esculpidas em osso, marfim, barro, argila e pedra representando mulheres nuas com longos cabelos, grandes ventres e seios, sempre foram encontradas nas proximidades de lugares sagrados e em sepulturas, significando algo sagrado e de simbologia religiosa.

Foram encontrados também alguns objetos ritualísticos com desenhos da Deusa, que pela data constatada através de testes com carbono 14, datam de 500.000 a.C., o que seriam no paleolítico inferior.

A adoração a Cernunos, filho e consorte da Deusa, também era muito difundida na Europa. Foram encontradas diversas estátuas na Suécia e em Mohenjo Daro, no vale Indo, com representações do Deus Cornífero com galhos de cervo e cercado por diversos animais.

Os homens primitivos, nossos ancestrais, sempre consideraram que o poder divino que presidia a criação era feminino e não masculino, como o cristianismo impôs ao mundo. Torna-se evidente que as crenças religiosas centrais da Europa envolvia a adoração da Grande Deusa Mãe (a Terra e a Lua) e ao Deus (o sol).

Com o advento do século XXI e consequentemente da Era de Aquário, todos estes velhos conceitos estão voltando à tona e ressurge em todo mundo com uma força brutal as crenças e todo o poder da Magia dos Antigos Celtas. A bruxaria é a antiga religião dos povos da Europa, que após quase 2000 anos de exclusão e desaparecimento ressurgiu nos idos de 1940 sob o nome de Wicca, como muitos usam hoje quando se referem às crenças e práticas de origem pagãs.

Talvez o mais antigo relato sobre a prática e a continuidade dos cultos da Bruxaria em nosso século, data de 1921 quando Margaret Murray publicou o livro “The Witch Cult in Western Europe”. Neste livro a famosa e respeitada Dra. Murray revelou que os cultos pagãos pré-cristãos ainda eram conhecidos e realizados em inúmeras partes da Europa. Nesta obra, mencionou que o culto a Cernunos e Ceridwen, os Deuses primordiais dos Celtas, tinha sido incorporado por inúmeros grupos neo-pagãos atuantes da época.

A Magia Wicca surgiu no neolítico nas regiões européias entre os povos da Irlanda, Inglaterra, País de Gales, percorrendo os povos da Itália e da França. O povo Celta, ao invadir a Europa, trouxe suas crenças nativas, que se mesclaram ao conjunto de crendices da população local, dando assim início às práticas Wiccanianas. Apesar da Wicca ter criado raízes entre o povo Celta, é de suma importância ressaltar que a Bruxaria é anterior à estes povos.

Assim como na crença Celta, na Wicca existem duas forças primárias que são veneradas nos rituais, sortilégios e petições: A Grande Deusa Mãe e o seu filho e consorte o Deus Cornífero, um ser meio homem, meio animal, responsável pelos rebanhos e pelas florestas.

A Deusa é o princípio da feminilidade, da fecundidade e da criação. Seu símbolo é a Lua e na Bruxaria ela é a detentora de 3 personalidades e 3 faces que representam o presente, o passado e o futuro; as 3 fases da Lua que são veneradas – Crescente, Minguante e Cheia; os 3 ciclos da vida – Juventude, maturidade e velhice; as 3 cores sagradas da Bruxaria – branco, vermelho e preto. A Deusa é a Grande trindade feminina de Donzela, Mãe, Anciã, tão comum nas mitologias de várias culturas antigas.

Wicca – Ritos e Mistérios da Bruxaria Moderna, 
PRIETO, Claudiney
Germinal - ISBN: 85-86439-05-3

A ênfase está na veneração da Natureza e nos elementos identificados como os Antigos ou Velhos e salienta as propriedades mágicas de árvores e plantas. Sua estrutura e conteúdo ritualístico básico podem ser encontrados, por alto, na maioria das Tradições, por conta de sua ampla influência no formato geral da Wicca.

Em razão do seu enfoque na natureza, os elementos e elementais, é um caminho propício para fadas,  elfos, magia com plantas e etc e muitos Bruxos Verdes são adeptos da Wicca Céltica, centrada nesse antigo panteão de Deusas e Deuses.

3 de agosto de 2015

Gerald Gardner e a Tradição Gardneriana

O caminho Gardneriano é o mais antigo da moderna denominação para a Antiga Religião, também chamada de Wicca, Bruxaria ou simplesmente "A Arte". Ele é um sistema de rituais e conceitos teológicos que têm sido transmitidos através dos anos, de membro para membro, em uma linha direta àquele que foi responsável pela organização e consolidação dos rituais, Gerald Brosseau Gardner. O sistema Gardneriano é apenas um entre vários sistemas existentes para se comunicar com os mistérios da Arte. Uma vez que o aspecto mais importante é passar pelas etapas através da experiência, os Gardnerianos mantêm seus rituais em segredo daqueles que não foram iniciados na Tradição. Deste modo, se concede a cada pessoa, a oportunidade de constatar por si mesma o que a experiência de cada ritual significa. Não falam sobre o que vai ocorrer no ritual e nem procuram encontrar o significado desta experiência. Em vez disso, conjuntamente exploram a natureza dos mistérios.

O meio usado para que os segredos sejam mantidos através de juramentos solenes, feitos perante os Deuses. Nestes juramentos, o novo iniciado promete não revelar detalhes sobre instrumentos mágicos, nomes sagrados e aspectos específicos da Tradição Gardneriana e quais são os modos particulares de expressar os mistérios. No entanto, os conceitos expressados em cada ritual  podem ser livremente discutidos e explicados, simplesmente não usam exemplos específicos da Tradição para isso. A primeira divisão que os Gardnerianos fazem é estabelecer a dualidade entre o Deus e a Deusa. Simplesmente entenda que a Deusa é a mãe que dá a vida e o Deus é o Senhor de Chifres da Morte. A Deusa é a Lua e o Deus é o Sol. A Deusa é a Terra e o Deus é o céu. Através da união deles que tudo passa a ter sentido e é dessa união que o Todo Divino é criado. Deste modo, a ideia de uma união criadora é o pilar central para a compreensão da Tradição Gardneriana. Isto é polaridade, a ideia de opostos de uma união harmoniosa. O mesmo conceito exposto pelo símbolo Ying e Yang. Duas metades que se unem para formar algo maior que a soma de suas partes.

Os Gardnerianos usam imagens de arquétipos para demonstrar a união entre o feminino e masculino, mas não reivindicam que essa é a única forma de expressão, nem forçam que uma pessoa as aceite para tornar-se Gardneriano. O que é necessário é a compressão do conceito e ser capaz de visualizar sua beleza e trabalhar dentro do conceito ritual. Os Gardnerianos tem a filosofia de que precisamos e nos damos aos Deuses e em igual medida eles se dão e precisam de nós. Não vêem os Deuses como estando em algum lugar desconhecido, pelo contrário, o Divino está entre nós e nós estamos entre o Divino.

Os Gardnerianos usam os ciclos da natureza e suas simbologias para representar os mistérios. Honram o planeta Terra e respeitam todos os seus seres vivos, sabendo que são parte de um ciclo natural e que devem repor tudo que retiram, assim como compreendem que todo ser vivo sobrevive através de uma morte. Portanto, permitem-se retirar a vida do que lhes é necessário para viver e reconhecem tal necessidade perante os Deuses e o mundo. Assim, não só lutam contra o medo da morte, mas sim em aceitá-la como parte natural de um ciclo, reconhecendo que assim como compartilham das alegrias da vida, devem compartilhar as tristezas da morte. Acreditam na ideia de reencarnação, contudo a forma exata como é compreendida é uma questão religada ao entendimento individual. Isso significa que trabalham com a ideia de ciclo da vida, morte e renascimento. Sabem que se irão viver, então devem morrer, assim como sabem que irão renascer. Observam esse fato claramente através dos ciclos da natureza a nossa volta. Logo, considerando que não são diferentes da natureza, o mesmo é verdade para nós.

Celebram 8 Sabbats anuais, tanto para celebrar  as etapas dos ciclos da natureza como tomar parte delas. Desta maneira, aflaram seu sentimento como parte da natureza e, por isso, sua ênfase em comemorar as estações e as fases da Roda do Ano. Nós e o planeta Terra somos um e o que fazemos, a Terra faz e vice versa. Além desses eventos, se reúnem nas luas cheias e nos momentos que desejarem ou for necessário para os membros dos Covens. Aceitam e compreendem o trabalho mágico. Definem tal assunto como sendo sua conexão com o Todo. Afinal, se são uma única coisa, então afetar o clima é simples como o fato de erguer nossa mão. Nossa ligação com nossa mão é o que nos possibilita levantá-la e da mesma forma entendem que esse vínculo possibilita trabalhar a magia.  Evidentemente existem limites, leis naturais, modo como o universo funciona, e não podemos ir contra tais leis.

Aceitam a Lei Tríplice do Retorno e seguem a Rede Wiccana. A Lei Tríplice manda que tudo que você fizer, bom ou ruim, afetará tudo ao seu redor e eventualmente retornará para o responsável, ampliando por todas as interações ocorridas. Se você luta para ajudar aqueles que precisam, não fique surpreso se ajuda aparecer quando você precisar. A Rede Wiccana afirma: "Se nenhum mal causar, faça o que quiser." Tal não é uma simples declaração de que você pode fazer o que quiser desde que não machuque ninguém, Na verdade, é um conselho profundo sobre os relacionamentos de nossas motivações e a responsabilidade de ser um Bruxo. Afirma que primeiro você deve saber sua motivação, o que é bem diferente do que você quer e deseja. Em segundo, lhe atribui a responsabilidade de ter que investigar as consequências que ocorrerão caso sua vontade seja colocada em prática. Em terceiro, aconselha que nenhuma consequências ruim deva ocorrer em decorrência do trabalho de seu objetivo. Finalmente, é um ato de comando.

Lembre-se, a Rede não afirma "você talvez possa fazer o que quiser", a Rede fiz "faça o que quiser", sendo relacionada a ação (ética e responsável) que está preparada para assumir as consequências, sejam elas quais forem. A Rede é uma declaração que assegura que tudo que foi feito para a consolidação de sua vontade não fará mal nenhum, porém também declara que a pessoa aceita as responsabilidades por seus atos. 

Na Tradição, cada Coven é comandado por um Alto Sacerdote e por uma Alta Sacerdotisa, que trabalham juntos, cabendo à Alta Sacerdotisa a decisão final em caso de divergências. As pessoas que foram treinadas pelo Alto Sacerdote e Alta Sacerdotisa do Coven se referem a eles como Rainha e Mago.

Cada Coven é autônomo, e isso significa que não existe uma autoridade central e que cada Alto Sacerdote e Sacerdotisa decidem como devem administrar o treinamento dos novos iniciados e, dentro de certos limites, como representar os rituais. Rainha e Mago de um Coven são responsáveis por zelar para que seu Coven não passe dos limites definidos pela Tradição, no entanto não possuem autoridade sobre aqueles que receberam autorização para iniciar um novo grupo. Contudo, mesmo não tendo autoridade formal sobre o Coven novato, a Rainha e Mago devem se tratados com respeito e carinho de anciãos e assim o sentimento de união da Tradição faz com que ela se propague como uma família.

A Tradição usa o Sistema de Três Graus. O postulante deve trabalhar com o Coven sem ter contato com os elementos secretos durante o período de um ano e um dia. Sendo que a elevação de grau normalmente segue o mesmo período de tempo. A etapa que antecede a primeira iniciação pode ser comparada a uma gestação, pois o postulante está sendo preparado para uma nova vida. A iniciação no Primeiro Grau é o nascimento, sendo que o novo membro pouco sabe sobre o novo mundo e sua linguagem. A iniciação de Segundo Grau é equivalente a puberdade e se espera que o membro do Coven aprenda a se comportar como adulto no mundo Gardneriano, apendendo como executar rituais e transmitir os mistérios. A iniciação no Terceiro Grau ocorre quando o membro do Coven possui todas as características plenas e, consequentemente, será capaz de partir para estabelecer seu próprio Coven. Trata-se de uma grande responsabilidade, moldada em alegria e renovação em nome de uma nova jornada longe dos cuidados da Rainha e Mago.

Esta é uma visão geral da Tradição. Uma das muitas maneiras de expressar a beleza da Antiga Religião.

30 de julho de 2015

Wicca Tradicional Britânica

O termo Wicca Tradicional Britânica (BTW) aplica-se aos seguidores do revivalismo da Antiga Religião feita por Gerald Gardner e Doreen Valiente na década de 50. Designa-se dessa forma porque Gardner revitalizou práticas de feitiçaria hereditária encontradas na região de New Forest, no sul da Inglaterra. Portanto, é uma Tradição de Feiticeiros(as) britânicos, daí a designação Wicca Tradicional Britânica.

Os princípios básicos estão contidos nos conhecimentos passados oralmente e também através de Livros das Sombras. A BTW é uma "Tradição" iniciática e misteriosa, o que quer dizer que todos os conhecimentos (litúrgicos e religiosos) são absolutamente restritos a iniciados da Tradição e protegido por vários votos que são jurados antes que a participação ativa nos mistérios seja concedida. A BTW não procura convertidos ativamente, deixando que aqueles que sentem ser este seu caminho o procurem e cheguem a ele espontaneamente. 

Existe uma estrutura de base na BTW a qual se materializa em graus, correspondendo ao nível de treino dos iniciados. Estes graus podem-se encontrar em outras ordens similares, como a Maçonaria. Na BTW existem três graus, sendo o terceiro o mais alto. Os seus participantes organizam-se em Covens autônomos ou semi-autônomos. Os Covens são liderados por uma Sacerdotisa de grau suficiente.

Por causa de algumas diferenças dogmáticas e filosóficas, o corpo da BTW divide-se em vários grupos, os quais são designados Tradições. Cada Tradição tem as suas próprias práticas codificadas nos conhecimentos e material específico a cada uma delas, em oposição aos conhecimentos e filosofias que são comuns a todas. As Tradições mais comuns são a Gardneriana e Alexandrina. Na América, a Central Valley Wicca. Outras Tradições reclamam pertencer a BTW, mas esa aceitação varia de Tradição para Tradição. Na maior parte das Tradições, um Coven só pode ser liderado por alguém que possua grau 3, embora outras Tradições se pense de forma diferente em relação a este assunto. Por exemplo, na Gardneriana, um Coven só pode ser liderado por uma Sumo Sacerdotisa de nível 3, sendo o papel do Sumo Sacerdote apenas cerimonial. Na Alexandrina um Coven pode ser liderado tanto por uma Suma Sacerdotisa, como por um Sumo Sacerdote, embora a Sumo Sacerdotisa seja vista como prima inter pares em ritos religiosos. O Sumo Sacerdote tem mais deveres e poderes nesta Tradição.

Por vezes, as circunstâncias poderão ditar a necessidade de criar um Coven que não é liderado por um Sacerdote ou Sacerdotisa de nível 3. Dentro dessas circunstâncias especiais podem-se encontrar a distância, o tamanho do Coven ou o descontentamento quanto à liderança do Coven mãe (Coven de Origem). Neste caso, um iniciado de nível 2 poderá liderar um Coven descendente do Coven nãe em um processo chamado "hiving off", para fundar o que se chama "Maiden Coven" (Coven novo que se considera semi autônomo). O Maiden Coven opera ainda sob autoridade da Sumo Sacerdotisa de nível 3 do Coven mãe, até a altura que o iniciado líder do Maiden alcance o nível 3.

Uma vez que o processo de treinamento tenha terminado, um iniciado de nível 3 da BTW poderá ser considerado autônomo ou semi autônomo, dependendo da Tradição. O Sacerdote ou Sacerdotisa que elevou o iniciado de nível 2 a 3 é considerado seus anciãos. A função dos anciãos é o seu grau de controle ou poder perante o iniciado de nível 3 depende da linhagem e Tradição.

A BTW pratica cerimônias formais de iniciação e elevação, e a auto iniciação não é reconhecida. A iniciação só é concedida quando o mentor estiver satisfeito com o desempenho de seu aluno.

29 de julho de 2015

Alex Sanders e a Tradição Alexandrina

Os Alexandrinos definem Wicca como uma religião de mistérios, pagã, iniciática, voltada para a natureza e de segredos, com suas raízes nas Ilhas Britânicas. Para diferenciar das demais Tradições que não tem vínculo com Gerald Gardner ou Alex Sanders, determinamos BTW (British Traditional Wicca) ou apenas TW (Traditional Wicca).

O nome Alexandrina é, geralmente, visto pelos iniciados na Tradição como uma referência ao seu fundador Alex Sanders, assim como uma referência à Grande Biblioteca de Alexandria, que era um centro de conhecimento e ocultismo no mundo antigo.

Alex Sanders foi inciado a Wicca no início da década de 60, na Tradição Gardneriana. Mais tarde, ficou conhecido por sua sabedoria em Magia Cerimonial, assim como por suas aparições na mídia e seu título Rei dos Bruxos, que foi concedido à Sanders por líderes de vários Covens no fim da mesmo década. De acordo com sua ex mulher, Maxine Sanders, ele foi membro de, pelo menos, dois Covens antes de se casar com ela e fundar o "London Coven", de onde os membros da Tradição Alexandrina descendem.

Alex era um homem extravagante e, entre outras coisas, um showman nato. Ele brincava com a imprensa em todas as oportunidades, para desespero dos conservadores anciões da Antiga Religião. Alex também era conhecido como curandeiro, vidente e poderoso bruxo. Sanders foi, em grande parte, responsável em tornar o público ciente sobre a Antiga Religião.

Devido ao comportamento de Sanders com a mídia e conflitos com duas Sacerdotisas da época, um racha aconteceu dentro da comunidade Wicca. Essa rachadura foi início do que, mais tarde, viria a ser conhecida como Tradição Alexandrina. O termo "Alexandrina" foi dito por Maxine Sanders e reproduzido por Stewart Farrar, enquanto escrevia "What Witches Do", em 1971. No entanto, ao ser entrevistado por Stewart, Sanders disse:
"Os bruxos que não querem publicidade tendem a chamar os meus iniciados de alexandrinos."
 Ou seja, o termo foi criado por Alex ou foi resultante de cunho pejorativo, do mesmo modo que o termo gardneriano surgiu. Os primeiros iniciados dos Sanders se referem a si mesmos como wiccas ou bruxos. Os Sanders tiveram o cuidado de documentar suas iniciações metodicamente, tornando assim, o primeiro passo para que a Tradição se tornasse a mais precisa e correta com seus membros.

Naturalmente existem muitas dúvidas sobre as Tradições. Ao contrário do que muitos pensam, nem todos os alexandrinos trabalham com Magia Cerimonial, tais como Cabala e Magia Enochiana. Alex Sanders estava constantemente desenvolvendo suas práticas mágicas e transmitindo seus novos conhecimentos aos seus iniciados. O resultado é que linhagens descendentes de Sanders possuem diferenças, apesar de manterem o núcleo tradicional da Wicca. Alguns alexandrinos são fortemente voltados para a Magia Cerimonial, enquanto outros são mais voltados para o folclore. Treinamento sempre tem sido o ponto forte dessa Tradição, com cada nova geração adicionando conhecimento ao que foi transmitido pela antiga geração. Essa diversidade torna a Tradição dinâmica, mas com pés firmes na Wicca.

Alex Sanders faleceu próximo à Samhain, 30 de Abril de 1988 e, com sua morte, um conselho de anciãos da Tradição Alexandrina foi convocado.

Tradicionalmente, os alexandrinos trabalham e adoram os Antigos Deuses da Europa, com foco primário na Senhora da Lua e seu Consorte, o Senhor de Chifres. No entanto, seus Deuses não são ciumentos e os iniciados podem louvar outras deidades em suas práticas particulares ou dentro de seu Coven.

Buscam uma conexão com as divindades, com seus ancestrais e com os ciclos da natureza. Acreditam no poder da magia, utilizando tanto técnicas tradicionais como experimentos em prol de obter seus objetivos. 

A Tradição Alexandrina é organizada em Covens. Alguns praticam vestidos de céu (nus), enquanto outros preferem trabalhar usando túnicas. No entanto, determinado rituais exigem a nudez ritual por parte de todos os Covens alexandrinos reconhecidos. Para tornar-se um iniciado alexandrino, a pessoa precisa ser iniciada por um Alto Sacerdote (ou Alta Sacerdotisa) alexandrino, respeitando a regra entre gêneros (homem para mulher e mulher para homem). Os rituais iniciatórios devem ser usados sem subtração de nenhuma parte, tal como transmitido através de cada linhagem desde o Coven alexandrino original. Não é possível se auto iniciar na Wicca Alexandrina.

A Tradição consiste em três níveis; conhecidos como graus. O primeiro grau torna o iniciado em Sacerdote ou Sacerdotisa, o segundo grau torna o elevado em Alto Sacerdote/Sacerdotisa, e o terceiro grau é conferido para os que saem para comandar seus próprios Covens. O tempo entre os graus pode variar entre as linhagens alexandrinas e depende do foco em que cada Coven confere seu treinamento. Na Tradição Alexandrina a pessoa passa pelos graus dependendo de seu crescimento pessoal e interno, investido do critério temporal da Wicca Gardneriana (ex. 1 ano e 1 dia).

Uma pessoa com o segundo grau pode iniciar um Coven e iniciar outros até o segundo grau, com permissão de seus anciãos. Os Covens comandados por Sacerdotes de segundo grau ficam sob responsabilidade dos anciãos do "Coven mãe" até que os Sacerdotes estejam preparados para receber a elevação ao terceiro grau. A autonomia conferida aos Sacerdotes de segundo grau varia dependendo da linha que o Coven descende. Em contrapartida, os Sacerdotes do terceiro grau são completamente autônomos, respondendo pelos seus atos perante os Deuses e perante a Tradição como um todo.

Diferente da Wicca Gardneriana, pode existir o grau Dedicado, que permite que a pessoa participe de alguns rituais antes de se firmar compromisso eterno com os Deuses. Este procedimento expõe o candidato à Tradição, permitindo aos Sacerdotes uma melhor análise do potencial e vocação do mesmo.

A Tradição é matrifocal e a Alta Sacerdotisa é considerada "a primeira entre iguais" e detém a palavra final em todos os assuntos do Coven. Ou seja, é por costume que a palavra da Sacerdotisa seja a lei do Coven. No entanto, a autoridade dela se limita aos assuntos referentes à Arte. Normalmente a Alta Sacerdotisa tem o suporte do Alto Sacerdote.

Logo após a iniciação, se começa a transmissão do Livro das Sombras e do conhecimento oral, deixando clara a responsabilidade sobre estes ensinamentos. Ao contrário do que se imagina, O Livro das Sombras Alexandrino não pode ser comprado em uma livraria, nem obtido pela internet.

A Wicca Aexandrina celebra os 8 Sabbats da Roda do Ano e também se reúnem às Luas Cheias para celebrar os Esbats em homenagem à Deusa. Nem o Rei do Carvalho e nem o Rei do Azevinho fazem parte das celebrações oficiais. 

Iniciação e elevação são um privilégio e não um direito. Para ser iniciado na Wicca, a pessoa precisa provar ser adequada para tal. Esse aspecto será analisado pelos anciãos do Coven, que observarão: sinceridade, caráter, maturidade, espiritualidade, nível de compreensão, ética e personalidade. Outro ponto importante é a química entre o postulante e os demais membros do grupo.

Na Wicca nunca se deve pedir dinheiro em troca de iniciação e/ou ensino da nossa religião. Na Tradição Alexandrina alguns Covens dividem os gastos básicos e segue o lema "Se não prejudicar ninguém, faça o que quiser." Atos totalmente puros de prejuízo, visto que é praticamente impossível não causar impacto em algo ou alguém. Somos totalmente responsáveis pelas nossas escolhas na vida.

É uma Tradição secreta, dese modo, muitos detalhes de como e porque fazem determinada prática é segredo. Eles tem a Tradição e seu conhecimento como sagrados e privados, e acreditam que a prática por pessoas que não foram propriamente treinadas é algo perigoso que pode causar sérios resultados. Eles mantem segredo não por elitismo, mas por respeito, cautela e consideração com os mesmos e os demais.

Robert Cochrane e a Tradição 1734

Robert Cochrane (nome fictício de Roy Bowers), foi uma pessoa carismática e controvertida, que teve sua contribuição em prol da Bruxaria Moderna ofuscada por Gerald Gardner. Cochrane foi um bruxo inglês que fundou o Coven "Clan of Tubal Cain", praticamente na mesma época que Gardner começou seu próprio Coven na década de 50. Assim, como o Coven de Gardner originou as bases da Tradição Gardneriana, o Coven Tubal Cain foi a base para a tradição 1734.

Cochrane nasceu em uma família metodista em 26 de janeiro de 1931. Eles moravam em Londres, Inglaterra, porém sua infância e adolescência são, de certo modo, obscuras e baseadas apenas no que Cochrane contava. Ele se dizia ser um bruxo hereditário e falara sobre um bisavô que praticava bruxaria em Warwickshire e também mencionava sobre uma tia Lucy que, segundo ele, possuia uma grande coleção de artigos de bruxas.

Cochrane também reivindicava ter antepassados que foram executados por bruxaria, sem esuqecer suas menções sobre um tio (de parte materna) que teria sido seu professor. Mais tarde, ele se contradisse ao afirmar que aprendeu a Arte com sua mãe (que, por sua vez, teria aprendido com a avó). No entanto, nenhuma das afirmações foram provadas. O que se sabe como certo é que Cochrane leu muitos livros e buscou recriar o que ele acreditava ser a Antiga Religião.

Seu Coven empre trabalhava ao ar livre, vestidos em robe preto, dançando e cantando em torno de uma fogueira. Eles veneravam o Deus de Chifres e a Deusa em seu aspecto triplo, que atribuíam como: vida, fatalidade e destino.

Cochrane era um talentoso poeta e filósofo que adorava escrever em formas místicas e enigmáticas. Seus ensinamentos eram uma amálgama de misticismo Celta com Bruxaria Popular.e os transmitia no mesmo modo que os Druidas faziam; usando poesias, canções e enigmas. Ele e sua mulher, Jane, conseguiam combinar Bruxaria (seus instrumentos consistiam de um caldeirão, faca, corda, cálice e pedra) e metodologia Druida de treinamento e prática. Ele inspirava pesquisa e evolução em vez da pura adoção de dogmas.

No início dos anos 60, Cochrane começou a se corresponder com um bruxo americano chamado Joe Wilson, que acabou fundando a Tradição 1734 nas Américas. As informações que Cochrane colocou em suas cartas para Wilson, junto com artigos que escreveu para vários periódicos, foram as bases dessa Tradição nos dias de hoje.

Com o passar do tempo, Wilson e outros americanos trabalharam juntos para resolver os enigmas de Cochrane e preencher as lacunas de seus ensinamentos. Wilson entregou cópias das cartas para alguns amigos, que, em contrapartida, fizeram pesquisas e encontraram suas próprias respostas. O resultado disso é que os Covens estruturados se diferenciam um do outro, e esse foi o início da Tradição 1734. Hoje em dia, cada Coven é autônomo e não existe autoridade central; além disso, a Tradição não possui um Livro das Sombras oficial.

O número 1734 era um dos enigmas de Cochrane. A descrição pode ser encontrada em uma carta para Joe Wilson, datada de 6 de janeiro de 1966.

Em 1964, Doreen Valiente se juntou ao grupo e foi inciado no Clan of Tubal Cain. Contudo, Doreen logo percebeu que Cochrane era mais ficção do que fato. Cochrane se tornava cada vez mais ditador e um romance com uma mulher do Coven acabou fazendo com que Jane o deixasse, colocando fim ao casamento. Tudo isso, aliado a sua implicância com os gardnerianos e sua obsessão por poções mágicas (em determinado momento, Cochrane passou a ser fascinado por drogas psicodélicas, derivadas de ervas), fizeram com que Doreen deixasse o grupo.

Cochrane morreu em 1966, na noite anterior do Solstício de Verão, no que aparentou ser um ritual de suicídio. Ele ingeriu folhas de belladonna, trazendo muitas especulações sobre sua morte. Alguns acreditam que foi por acidente, outros que foi suicídio, outros, especialmente membros de sua Tradição, acham que ele fez um sacrifício voluntário.

Infelizmente, logo após sua morte, muitos de seus papéis pessoais foram destruídos pela sua família. Em contrapartida, em 2001 sua viúva transmitiu os direitos do autor referente às cartas e artigos para Evan John Jones (antigo membro do Tubal Cain, que o liderou depois da morte de Cochrane); que assegurou que o material fosse reimpresso para a posterioridade.

27 de julho de 2015

Fundamentos da Wicca

A Wicca segue os mesmos preceitos dos antigos celtas. Sua magia é a magia do cotidiano, sua fé é investigativa e irriquieta e fundamenta-se em três fatores bem definidos: o animismo (ou a ideia de que tudo no universo está impregnado na vida), o panteísmo (segundo qual a divindade é parte essencial da natureza) e o politeísmo (a convicção de que a divindade é, ao mesmo tempo, múltipla e diversificada). 

Seus dogmas e tradições giram em torno da natureza, assim como seus Deuses, reflexos divinos do mundo visível. Sua cultura é a cultura da simplicidade; seu caminho, o da busca e do conhecimento; seu objetivo, a felicidade. É uma religião de vida. Cultua o presente e tenta fazer dele um momento único.

"Seja feliz", dizem as bruxas, mas nunca em prejuízo de nada ou de ninguém. Seja feliz através de seus próprios méritos e utilize nessa busca todos os ingredientes e sinais que a mãe natureza pode oferecer. Wicca é a bruxaria renovada, é a capacidade de transformar a realidade através da magia, Busca a integração do ser humano com a natureza e com as divindades. Wicca é o resgate da magia que séculos atrás moveu o mundo e transformou desejos em realidade.