
Os bruxos acreditam que tudo na vida é cíclico. O mito a Roda do Ano foi a forma encontrada para sacralizar os ritos da natureza. Assim, dentro da Roda do Ano observamos as mudanças de estações, festivais de colheita e as mudanças da Lua, todos os ciclos que se complementam e nos sugerem um aprofundamento interior. Os festivais da colheita são festivais essencialmente célticos, apesar de existirem práticas italianas relacionadas. Como os povos pagãos eram extremamente ligados a terra e dependiam da colheita para sobreviver, tudo era celebrado com muita festa e reverência. Esses festivais evoluíram a partir de várias tradições, são sazonais e refletem o ciclo progressivo tanto das sociedades agrárias quanto das sociedades caçadoras. Representam o ciclo anual da Deusa como Donzela, Mãe e Anciã, e o nascimento, casamento, maturação e morte do Deus. A Lua representa quatro fases e as bruxas estão sempre ligadas a tais mudanças. Como a Luz esteve sempre ligada à menstruação, é natural que as mulheres desenvolvam uma conexão mais natural com o satélite. A Luz está intimamente ligada à Grande Mãe e suas faces.
A Roda do Ano é uma sacralização do real, do que realmente acontece na natureza, mas também é cheia de simbolismos. Esses simbolismos vêm da observação daqueles que, durante os séculos, escreveram seus livros sagrados e rituais. Tudo que é dito no mito da Roda do Ano é um reflexo do que acontece na natureza, tanto em humanos quanto em animais ou plantas. É a famosa frase "tanto em cima, como embaixo". Ou seja, o que acontece no reino dos Deuses, acontece conosco."
Assim, a Deusa e o Deus se unirem em Beltane significa toda fertilidade da terra naquele momento. Algumas Tradições pagãs realizam em Beltane o ritual de união de casais, onde fazem seus votos por um ano e um dia e em Beltane próximo decidem se querem renovar esses votos ou se separar. Em Beltane, a natureza transborda vida. No Solstício de Verão (Litha) é o auge do Deus Sol. Trata-se do dia mais longo do ano e, a partir dali, bem lentamente os dias começam a ficar mais curtos. Muitas pessoas não costumam reparar nisso, mas a partir do momento que você passa a observar, vê como isso é visível a todos. Não só o Sol começa a enfraquecer, mas todos nós vamos ficando mais introspectivos a medida que o inverno vai se aproximando.
Na colheita dos grãos de Lammas você começa a ver como a decadência do Sol fica mais evidente. Ele está se despedindo, se sacrificando pelos grãos que nasceram. O verão está nitidamente acabando, podemos sentir isso no alaranjado do céu, na sensação de "fim de férias" e a volta dos afazeres tradicionais. O outono chega e você percebe que o inverno vai chegar também. Mais um ano se passou e estamos com aquela sensação de introspecção, vontade de ficarmos contemplativos e reflexivos. O inverno está vindo e o que fizemos de novo? O que podemos realizar de novo no ano que virá? Os dias estão cada vez mais escuros e a reflexão interior nos faz lembrar do que passou...
Lembramos não só do que fizemos no último ano, mas em toda nossa vida. Lembramos de quando éramos crianças, de nossos pais, nossos familiares que já se foram... Samhain. A escuridão prevalece e o véu entre os mundos está fino, propício para honrarmos nossos parentes que já se foram. Não é momento de ficar triste, mas de fazer festa para que nossos amigos que já morreram vejam como estamos felizes por eles. Quem disse que a pessoa quando morre fica triste? Triste ela ficaria de ver triste aqueles que amam, então alegrem-se! Este é o momento de dizer o quanto a vida é boa, apesar dos problemas comuns e como sentimos falta de nossos antepassados. No Solstício de Inverno (Yule), a noite mais longa do ano, percebemos o quão conectados com a Deus e seu filho que nasce. A terra está pura, no início dos tempos novamente. Novas esperanças renascem, projetos emergem das cinzas. A escuridão nos remete ao renascimento de todas as coisas, inclusive de nossas prórpias atitudes e sentimentos.
Da mesma forma que a Lua Negra se torna Crescente, a Deusa Anciã da escuridão se torna a Deusa Jovem em Imbolc; a donzela dos novos ventos e esperanças. Os dias vão ficando mais longos e a primavera está chegando... O inverno já passou. Cada vez mais o frio vai dizendo adeus e dando início e lugar ao Sol que volta forte, como no início, crescendo e amadurecendo até chegar novamente em Beltane, onde a terra estará fértil novamente. E assim é a Roda, assim é nossa vida.

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