14 de julho de 2015

História da Wicca - parte II

No Neolítico, o ser humano desenvolveu a agricultura e começou a formar aldeias e povoados. Com descobertas das técnicas de plantio, a Deusa assumiu maior importância, passando a acumular também o papel de guardiã da colheita. O Deus de Chifres começou a ganhar uma nova face, a de Deus das Florestas, protetor dos animais e criaturas dos bosques. Quando o homem adquiriu a noção das estações do ano, esboçaram-se as primeiras ideias da Roda do Ano.

Havia um período quente e fértil, onde realizavam-se as colheitas e a natureza mostrava todo seu esplendor. Neste período, reinava a Deusa. Depois as folhas caíam e tudo parecia estar morto. O povo voltava a depender da caça para sobreviver, pois não podia viver só dos alimentos armazenados. Quem regia esse período era o Deus das Caçadas, que também adquiria seu novo aspecto de Sombrio Senhor da Morte (nessa época nasceram também os primeiros conceitos da vida após a morte). Surgiram então os primeiros mitos sobre a descida da Deusa ao mundo subterrâneo que, séculos mais tarde, tomaria forma definitiva na Grécia, com mito de Perséfone, e na Mesopotâmia com a lenda de Ishtar. 

As culturas desenvolveram-se com o passar dos séculos e novos aspectos dos Deuses foram descobertos. Cultos religiosos se estruturam, centrados nos ciclos e nascimento, morte e renascimento da natureza. O tempo da plantação e o tempo da colheita eram muito importantes, marcadas com festividades, assim como o período de recolhimento do gado e a época de sua liberação ao pasto. Nessas datas, juntamente com as de mudanças de estações, realizavam-se encenações de mitos nos quais um Deus velho morria para um Deus jovem nascer, representando a morte da antiga colheita e o nascimento de uma nova.

Estes cultos possibilitaram o refinamento da classe sacerdotal, que chegou ao requinte de formar representantes como os druidas. sacerdotes celtas que encantaram os gregos e os romanos com sua profunda filosofia e integração com a natureza. Sua erudição era admirável e acumulavam funções como legisladores, médicos, poetas, bardos e guardiões da tradição oral. Na Grécia Antiga, floresceram os Cultos de Mistério, dos quais deve-se destacar os Ritos de Elêusis e os Mistérios Órficos. Também foram de grande importância os cultos dionisíacos. Deve-se ter em mente que estas são linhas gerais do início da bruxaria, que confunde-se com o surgimento das primeiras manifestações religiosas humanas.

O que foi relatado acima aconteceu em épocas diferentes, nos mais variados lugares. É verdade que nem tudo aconteceu da mesma maneira em todos os lugares: enquanto no Crescente Fértil da Mesopotâmia nasciam avançadas civilizações, na Europa ainda vivia-se de caça e coleta. Mas o que impressiona e é importante não são as diferenças, mas sim as semelhanças dos primeiros esboços de religião.

A Cristianização dos povos celtas não impediu, como já vimos, nem a prática dos ritos pagãos, nem o crescimento de seus adeptos. Embora existissem casos isolados de perseguição fanática e intransigência religiosa por parre dos mais estoicos, o Cristianismo de certa forma tolerou a bruxaria e ambos coexistiam dentro de um mesmo ambiente em visível ebulição durante 10 séculos seguidos. 

No auge da Idade Média a magia também atingia seu apogeu. Suas características investigativas atraiam os que queriam algo mais que apenas uma doutrina imposta e imutável do cristianismo. Suas práticas mágicas que resultavam em curas fantásticas e nítidos poderes, seduziam mais os inquietos e seus Deuses benevolentes, reflexos de um mundo natural, contrastavam enormemente com o austero Deus único do cristianismo. 

A bruxaria crescia, ganhava adeptos, sua essência feminina e maternal abraçava os camponeses sofridos e massacrados pelos senhores feudais, seus ritos da natureza e a visível união do mundo marial com o mundo mágico, símbolos de uma vida equilibrada, fortaleciam os alicerces de sua espiritualidade. Pouco a pouco, porém, esses mesmos méritos que legitimaram a bruxaria e contribuíram para seu crescimento transformaram-se em forte artilharia contra a Igreja, que tornava-se cada vez ais temerosa pela perda de adeptos e pela incapacidade de explicar os mistérios do homem e da natureza da mesma maneira que a bruxaria podia e fazia com tantos resultados prodigiosos.

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