Movimento de perseguição às religiões nativas e pagãs, que culminou na terrível inquisição no ano 1231, teve seu início séculos antes com a reação do clero contra a ascensão da bruxaria e das ordens reformistas consideradas heréticas. Os reformistas eram formados na sua maioria por cristãos dissidentes da igreja oficial que indignaram-se com o poder político e a pompa imperial com que os líderes da igreja foram se cercando através dos séculos. Exigiam assim, a volta à piedade pura de Jesus e à simplicidade de seus ensinamentos. Entre eles, os que mais ameaçaram a igreja com seu ascetismo fervoroso foram, sem dúvida, os cátaros que espalharam sua doutrina por boa parte do continente durante os séculos XII e XIII.
Se a igreja estava, por um lado, cercada pelos reformistas radicais que conquistavam a simpatia do povo por sua simplicidade, estava por outro perdendo terreno para a bruxaria e seus dogmas panteístas que atraíam não só os camponeses, mas um número cada vez maior de estudiosos e nobres da aristocracia européia.
Assim, decidida a erradicar de uma vez por todas todos os hereges que ameaçavam a igreja e seu poderio político, espiritual e financeiro, teve início a Inquisição, por um decreto outorgado pelo Papa Gregório IX. Nos cinco séculos seguintes, a Inquisição aniquilaria aos milhões todos os inimigos do cristianismo: bruxas, hereges e todos aqueles que, de alguma forma, não seguiam os ditames da igreja oficial eram assassinados, em sua grande maioria, queimados vivos. Estima-se que do século XII ao XVII mais de 10 milhões de pessoas tenham sido portas por essa sangrenta instituição.
É claro que a igreja necessitava ter, para todos os efeitos, argumentos cabíveis que explicassem tantas mortes e perseguições. Era preciso, antes de mais nada, atribuir alguma culpa às vítimas, transformando-as em vilões. Assim, a imagem da bruxaria foi totalmente denegrida, todos os seus ritos foram deturpados, seus Deuses foram transformados em demônios e sua filosofia associada ao mal e a loucura. É óbvio que as mulheres foram as grandes vítimas da Inquisição, não apenas pelo fato da igreja exercer, nessa época, um patriarcado machista e ortodoxo que reduzia as mulheres a um ser inferior e "sem alma", mas sobretudo pelo fato da bruxaria ter nascido a partir do culto de uma Deusa Mãe e ser, por essa razão, um reflexo religioso do eterno feminino.
Em 1486, o Papa Inocêncio VIII encomendou a dois monges dominicanos, Heinrich Kraemer e Jacob Sprenger, um verdadeiro tratado de caça às bruxas. Nesse "Manual do Inquisidor", deveriam ficar claros para uma fácil identificação todos os segredos, códigos e artimanhas usadas pelas bruxas em seus ritos e práticas. Foi assim que a famosa obra "Malleus Maleficarum", também conhecida como "O Martelo das Feiticeiras", que tornou-se a maior peça da publicidade contra a bruxaria, afirmava, entre outras calúnias, que eram adoradores do demônio e partidárias de sacrifícios hediondos em homenagem à ele.
É irônico concluir que foi a própria igreja que criou a figura do diabo e associou à figura do Deus Cernunnos, o Deus Cornífero dos celtas e da bruxaria. Foi por essa razão que o demônio "gerado" pela igreja traz ainda os mesmos chifres que desde as culturas neolíticas simbolizavam apenas o respeito pela caça e pelo caçador. Foi assim que, através de uma perseguição sem limites, que a bruxaria foi banida do panorama europeu e sumiu em sua clandestinidade durante os séculos seguintes.
É claro que a igreja necessitava ter, para todos os efeitos, argumentos cabíveis que explicassem tantas mortes e perseguições. Era preciso, antes de mais nada, atribuir alguma culpa às vítimas, transformando-as em vilões. Assim, a imagem da bruxaria foi totalmente denegrida, todos os seus ritos foram deturpados, seus Deuses foram transformados em demônios e sua filosofia associada ao mal e a loucura. É óbvio que as mulheres foram as grandes vítimas da Inquisição, não apenas pelo fato da igreja exercer, nessa época, um patriarcado machista e ortodoxo que reduzia as mulheres a um ser inferior e "sem alma", mas sobretudo pelo fato da bruxaria ter nascido a partir do culto de uma Deusa Mãe e ser, por essa razão, um reflexo religioso do eterno feminino.
Em 1486, o Papa Inocêncio VIII encomendou a dois monges dominicanos, Heinrich Kraemer e Jacob Sprenger, um verdadeiro tratado de caça às bruxas. Nesse "Manual do Inquisidor", deveriam ficar claros para uma fácil identificação todos os segredos, códigos e artimanhas usadas pelas bruxas em seus ritos e práticas. Foi assim que a famosa obra "Malleus Maleficarum", também conhecida como "O Martelo das Feiticeiras", que tornou-se a maior peça da publicidade contra a bruxaria, afirmava, entre outras calúnias, que eram adoradores do demônio e partidárias de sacrifícios hediondos em homenagem à ele.
É irônico concluir que foi a própria igreja que criou a figura do diabo e associou à figura do Deus Cernunnos, o Deus Cornífero dos celtas e da bruxaria. Foi por essa razão que o demônio "gerado" pela igreja traz ainda os mesmos chifres que desde as culturas neolíticas simbolizavam apenas o respeito pela caça e pelo caçador. Foi assim que, através de uma perseguição sem limites, que a bruxaria foi banida do panorama europeu e sumiu em sua clandestinidade durante os séculos seguintes.

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