Mesmo após o esfriamento da turba inquisitória e da volta a quase uma tolerância religiosa, a bruxaria ainda era marginalizada e manchada de culpa. Aos poucos, sua imagem deturpada e enfraquecida deixou de representar uma ameaça e foi praticamente esquecida durante os séculos seguintes, marcados pela racionalidade do Iluminismo e do Empirismo. O mundo assistiu a Revolução Industrial e carregou-se de uma visão materialista e analítica. A era do capitalismo e dos filósofos ateus não deixou espaço para a bruxaria. No início do século XX, o interesse pela espiritualidade e pelos segredos do universo foram pouco a pouco reinstalando-se. A bruxaria, como outros temas religiosos esquecidos no passado, ergueu-se no interesse isolado de alguns pesquisadores.
Foi assim que, depois de minuciosos exames nos registros de julgamentos deixados pela Inquisição, a antropóloga inglesa Margaret Murray, publicou em 1921 suas pesquisas desmistificando a conotação do mal que a igreja impôs sobre as antigas religiões pagãs. Margaret também trouxe à luz várias características da velha religião. Descobriu seus Deuses e sua tendência matriarcal sedimentada pelo culto à Diana. Ainda no começo do século, outros pesquisadores escreveram sobre o tema, como o folclorista americano Charles Leland, com sua obra "Aradia", e o poera ingkês Robert Graves, com sua respeitada obra "A Deusa Branca". Porém, foi em meados do século, principalmente com a revogação das leis anti bruxaria na Inglaterra, em 1951, que os primeiros livros escritos por bruxos praticantes foram publicados.
De todos esses bruxos, o que atingiu maior notoriedade foi Gerald Brosseau Gardner, antropólogo amador pouco afeito a convenções, que instaurou os novos estatutos da atual bruxaria. O discípulo mais contundente de Gardner, Raymond Buckland, foi para América decidido a propagar esse renascimento do ocultismo pagão. Nessa época, por volta de 1960, inúmeros covens e assembléias de bruxos surgiram. Sentindo-se livres para finalmente se expor, espalharam-se pela América e outras partes do mundo. Claro que desse crescimento surgiram inúmeras variantes da Wicca.
Na verdade, todas elas refletem sua natureza aberta e eclética, sem dogmas estatizados e em constante movimento. A Wicca é hoje o resultado de todos esses processos. Ainda que diversos grupos discordem quanto à prática de alguns símbolos e ritos, todos comungam da mesma fé na grande Deusa a natureza. Sua essência pura e materna conduz todos os seus filhos sempre para um objetivo comum: o equilíbrio do corpo e do espírito, da matéria e da magia; duas metades indivisíveis e unas, sempre através e em nome da Deusa, do seu amor incondicional e de seus laboratórios encantados que afloram na natureza.

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