9 de agosto de 2015

Bruxaria Tradicional Ibérica

Uma bruxaria onde participam pessoas que habitam a região que compreende a Península Ibérica, principalmente Portugal e Espanha. Seus ancestrais adoravam os seus Deuses com cultos diferenciados entre tribos e regiões. Eles amavam e respeitavam os lugares e espíritos da natureza, colhiam e caçavam com bravura e respeito. No passado, a Península Ibérica foi palco de várias influências de vários povos, entre eles os fenícios, cartagineses, suevos, visigodos e celtas. As divindades nunca se mesclaram facilmente com as dos povos invasores. A adoração e o ritual dos Deuses tem a ver co ma Arte Antiga, hoje chamada por uns de "tradicionalista" e claro, muito anterior à Wicca que vemos de Gardner e outros decorrentes. Além disso, é sabido o quanto Gerald Gardner percorreu por várias vezes a Espanha em busca do culto dos Antigos e nunca encontrou realmente o que buscava, pois os grupos de bruxos, conhecidos por Aquelarres e Coevas são fechados e o que se fala para o exterior é cauteloso, de acordo com as leis Wiccanas.

O espírito religioso dos romanos baseava-se na importância dos Deuses de várias regiões conquistadas. Todos os Deuses gregos foram importados, dando origem aos Deuses romanos de poder, influência e semântica similares. Os romanos também querendo absorver os poderes das tribos conquistadas, apropriavam-se dos nomes dos Deuses locais e os aplicavam conforme as conveniências em sua cultura, sem contudo nestes Deuses romanos recém criados existir o verdadeiro sentido mágico religioso. Assim aconteceu com a Deusa Atégina, que após a romanização virou Proserpina, nome deveras conhecido na mitologia romana, mas muito antes de Roma ser criada, os povos locais já conheciam a lenda da descida da Deusa Atégina aos mundos inferiores. 

Podemos notar também pela história que, cinco séculos antes de Roma, já haviam chegado à Europa a cultura dos gregos e dos fenícios, e depois dos cartagineses, que não forçaram os habitantes ibéricos com suas religiões, entretanto foram bastante influentes na passagem de segredos e mistérios aos Sábios tribais dos Santuários primitivos já existentes na Península Ibérica. A tradição dos ibéricos tem uma ancestralidade reconhecida em um vasto panteão autônomo, quase livre de influências exteriores, e nos variadíssimos vestígios históricos, que cada vez mais surgirão à luz dos homens. Não poderíamos ficar alheios também da importância tradizas pelas culturas fenícia, cretense e grega, e cuja cultura resplandescente causou assombro e respeito aos povos nativos ibéricos do litoral português com os cultos de Baal Merkat e Tanith de Cartago, cultuada no seu local em Nazaré. O panteão ibérico é rico e tribal. Os Deuses que compõe esse panteão existem nas antigas regiões da Bética, Lusitânia e da Galécia, e entre outras divindades, cultua-se Endovélico - O Curador, Atégina - A Deusa Mãe, Trebaruna - A Guerreira e Protetora, Boncôncios - O Guerreiro, Tongoenabiagus - O Fertilizador, Tanira - Deusa das Artes, Nabica - A Ninfa das Florestas, Aernus - O Senhor dos Ventos do Norte, Brigantés - A Deusa Guerreira.

Os feiticeiros ibéricos não seguem os atuais calendários usados na Wicca, mas sim os calendários vivos que a própria tradição os ditou através do tempo. Na Bruxaria Ibérica há três celebrações básicas: o nascimento, o apogeu e o Rito aos Idos, onde visitam o Rio do Esquecimento, para cultuar seus antepassados. O culto é dirigido a uma só Deusa ou Deus e cada Divindade é adorada individualmente, salvo algumas exceções, não se aplicando a ritualística de Deusa e seu Consorte, tão difundida pela Wicca, e não existe o conceito de Deuses infernais, nem duos ou trindades de Deuses.

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