
O Druidismo procurava buscar o equilíbrio, ligando a vida pessoal a fonte espiritual presente na Natureza, e dessa forma reconhecia oito períodos ao longo do ano, sendo quatro solares (masculino) e quatro lunares (feminino), marcados por cerimônias religiosas especiais. A sabedoria Druídica era composta de um vasto número de versos aprendidos de cor e conta-se que que eram necessários cerca de 20 anos para que se completasse o ciclo de estudos dos aspirantes a Druidas. Pode ter havido um centro de ensino Druídico na Ilha de Anglesey, mas nada se sabe sobre o que era ensinado ali. De sua literatura oral (cânticos sagrados, fórmulas mágicas e encantamentos) nada restou, sequer em tradução. Mesmo as lendas consideradas Druídicas chegaram até nós através do prisma das interpretações cristãs, o que torna difícil determinar o sentido original das mesmas. As Tradições que ainda existem do que poderia ter sido suas práticas religiosas foram conservadas no meio rural e incluem a observância do "Halloween", rituais de colheita, plantas e animais que trazem boa ou má sorte e coisas do gênero.
Uma ordem de sacerdotes filósofos de ambos os sexos da sociedade celta pré-cristã na Europa Continental, na Grã Bretanha e na Irlanda; geralmente tidos como equivalentes aos flâmens romanos e aos brâmanes da Índia. De acordo com os autores clássicos, os Druidas da Gália e provavelmente em outras áreas exerciam autoridade sobre os cultos divinos, oficiavam sacrifícios, exercendo autoridade suprema em questões legais e jurídicas, além de serem responsáveis pela educação dos jovens da elite e dos aspirantes à sua ordem. Eles consumiam bolotas de carvalho para se tornarem aptos a artes divinatórias. Os Druidas não pagavam taxas e deles não se exigia que tomassem parte em batalhas. Em assembleias, os discursos tinham precedência até aos dos reis e chefes.
Os ensinamentos e conhecimentos sagrados eram transmitidos oralmente e os pupilos deviam memorizar um grande número de versos, dedicando-se a até 20 anos de estudos. Muitos ensinamentos assumiam a forma de enigmas.
Os Druidas certamente possuíam uma versão da metempsicose segundo a qual a alma humana renascia em diferentes formas. Escritores clássicos viam nisso um paralelo com os ensinamentos de Pitágoras. Como curadeiros, são especialmente associados ao visco e a sua colheita ritual.
A perseguição romana levou a ordem Druídica ao declínio, especialmente após o massacre de Anglesey, que fez com que os Druidas desaparecessem da Bretanha e de Gales. Os Druidas sobreviveram na Irlanda até a chegada do cristianismo, e na Escócia, onde o manto mágico dos Druidas passou aos santos do cristianismo celta. Outros aspectos foram herdados pelos filid, que se ajustaram à nova religião.
Os escritores clássicos nos fornecem uma substanciosa quantidade de informações sobre os druidas, mas nem sempre são consistentes ou apoiadas por textos literários irlandeses ou galeses. Júlio Cesar descreve os druidas como uma única classe letrada, enquanto que seus quase contemporâneos Estrabão e Diodoro Sículus identificam três ordens de sábios: 1. os druidae, filósofos e teólogos; 2. os vates ou mantis, adivinhos e videntes; 3. os bardi, poetas. Apesar dos tênues elos que ligam as sociedades celtas da Gália e da Irlanda, os textos irlandeses mais antigos apontam para uma divisão similar: 1. druídh; 2. filidh, videntes e adivinhos; 3. baird, poetas. Por volta do séc. VII, a fusão com o cristianismo permitiu que os filidh assumissem diversas funções e privilégios dos druidas, os quais vinham desaparecendo do cenário. Os Druidas proibiam a construção de templos aos Deuses ou mesmo a cultuá-los entre paredes ou sob um teto.
O Druidismo é uma espiritualidade profundamente arraigada na terra, mas que se renova a cada novo amanhecer. É uma Tradição que honra nossa terra, os mundos interno e externo, os espíritos da Terra, das Águas e dos Céus, os espíritos de nossos ancestrais; é uma filosofia que possui em sua essência a exploração da relação sagrada, de espírito para espírito.
São três os deveres de um Druida:
- Curar a si mesmo.
- Curar a comunidade.
- Curar a Terra.
Os pilares do Druidismo:
- Tempo Sagrado/Espaço Sagrado: Nemeton/Roda do Ano
- Inspiração:
Awen: espírito que flui.
Interconexão: de alma para alma.
O Druidismo não é somente uma Tradição mágica, mas sim uma busca pela pureza da quintessência da vida. Pode-se passar eras e eras ponderando sobre teorias e crenças; pode-se crer ter encontrado alguma verdade superior, o que nos leva a derrapar no desejo de salvação e de poder. Porém, é na experiência da conexão, de espírito para espírito, que podemos saborear a verdadeira inspiração, o verdadeiro leite da Mãe Natureza, o toque dos Deuses.
- Emma Restall Orr
- Ancestralidade:
Herdamos tudo o que temos e somos de nossos ancestrais. Eles viveram antes de nós e permanecem como mananciais da sabedoria e do conhecimento de nossa Tradição. Praticamente todos os povos do mundo honram e reverenciam seus ancestrais de alguma forma. Contudo, na sociedade ocidental — a mais afastada de suas raízes animistas e xamânicas — a veneração dos ancestrais tem pouca importância em nossa vida diária: essa distorção acaba se manifestando num total desrespeito pelos mais velhos de nossa sociedade, cuja idade e sabedoria são vistas como negativas visões deturpadas.- Caitlin & John Matthews
- Honra:
Os verbos honrar e orgulhar(-se) possuem significados bastante diferentes. Se, por um lado orgulhar-se é, como a própria gramática o nomeia, um verbo "reflexivo", ou seja, uma ação que volta ao indivíduo, por outro lado honrar precisa de um objeto. Quem honra, honra algo. Honrar, portanto, é estabelecer uma relação, uma conexão.
Existe uma percepção equivocada de que honra e moral são sinônimos — não são. A palavra moral traz em seu bojo conotações como certo e errado, bom e mau, bem e mal. Esses conceitos dualistas simplesmente inexistem no Druidismo. Não existe, na Natureza, bem ou mal. Da mesma forma, por ser uma espiritualidade pagã (portanto centrada na Natureza), o Druidismo não reconhece esses princípios. E, ao não reconhecê-los, inviabiliza a redação — seja ela ditada pelos Deuses, recebida por um profeta iluminado ou canalizada por um espírito — de códigos de conduta, de leis, de mandamentos. Como, então, viver uma vida equilibrada sem manuais de instrução? A resposta mais objetiva é: vivendo a vida; inspirando-se nela e por ela; honrando-a. Afinal, a vida não é um aparelho previsível, lógico, mecânico para ter um manual de instruções. Ela é viva, e por assim ser, não existem regras para todos os momentos.
Com equilíbrio, aliando o conhecimento à inspiração, a razão à emoção, o druidismo ensina cada um de nós a descobrir o seu caminho. Esse é um caminho de honra.
- Transformação:
No Druidismo a mudança é sagrada. Ela é tão integral à nossa Tradução quanto aos ciclos da Natureza, às fases da lua, às marés, às estações do ano...(...)Assim como no ciclo do ano no clima temperado das ilhas britânicas e move do verão para o inverno — do crescimento para a decadência — também no Druidismo a escuridão é tão sagrada quanto a luz, a noite é tão vital quanto o dia. Nossos rituais podem ser celebrados nos campos banhados de sol diante de centenas de pessoas, ou ainda na escuridão de uma floresta, na reclusão da noite. A escuridão é vista como o ventre do potencial: é o solo escuro da terra que nos alimenta e no qual se enraízam as árvores. No Druidismo não existe o conceito de bem ou mal: o que existe é a compreensão de que o apodrecimento é necessário para preparar o crescimento e que na escuridão encontramos o medo do desconhecido, mas também a liberdade.- Emma Restall Orr
Texto por Claudio Quintino Crow.

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